December 17, 2009

O poder das empresas de ônibus do Rio

Na capa do jornal "O Globo" de ontem o destaque foi dado à grande via que a Prefeitura vai abrir ligando a Penha à Barra da Tijuca. Para viabilizá-la 3630 imóveis serão desapropriados e e o investimento será da ordem de 790 milhões de reais.

É muito dinheiro e seria interessante fazer uma avaliação que qual será o percentual da população que se beneficiará dessa grande obra. Afinal é realmente muito mais significativo o fluxo de gente daquela região para a Barra do que para o Centro da cidade?

Não seria mais importante criar vias alternativas e melhoras as que já existem, além da própria avenida Brasil tão abandonada e deteriorada?

Ao que parece esse grande investimento continua a fazer o dinheiro público fluir na direção dos interesses dos empreiteiros da Barra e dos donos das grandes empresas de ônibus.
Este é um mistério que sempre me inquietou: como é que as empresas de ônibus conseguem fazer com que todas as políticas públicas sempre as beneficiem e que nenhuma medida no sentido de contê-las se viabilize?

Não se viu nenhuma redução do número de ônibus que todos os dias atravacam as suas do rio com suas enormes carrocerias depois da restrição às vans. Não se consegue implementar o bilhete único que reduziria o extorsivo custo do transporte que atende (mal) à maior parte da classe trabalhadora. Não houve nenhum investimento significativo no sentido de melhorar e ampliar a malhar ferroviária que, no passado, já foi o mais importante meio de transporte para a população dos subúrbios.

E praças outrora lindas como a Saens Pena e a General Osório, desaparecem e se tornaram lugares feios e insalubres devido ao paredão de ônibus que fazem ali seu ponto final.
Será que não se deve também à força dessas empresas e de suas bancadas municipais e estaduais o atraso secular do projeto de ampliação do nosso metrô?

Uma das coisas interesses que esse grande urbanista que é Sergio Magalhães diz em sua entrevista publicada no caderno Razão Social do Globo e que linkei nesta página é que as autoridades são reativas. Ou seja elas reagem à pressão e podem modificar suas políticas em função de pressões de seus virtuais eleitores. É preciso então que todos, sempre que tiverem oportunidade, se manifestem contra essas duas forças do atraso que impedem a renovação do Rio de Janeiro histórico e popular: empreiteiros e empresários de transporte ganaciosos que não estão nem um pouco comprometidos com o bem-estar da população. 
 
- Isabel Lustosa

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