March 27, 2020

Cartunistas repercutem morte de criador de Asterix

O criador de Asterix, Albert Uderzo, em 2005 Foto: Yves Herman / REUTERS

O anúncio da morte do desenhista Albert Uderzo, criador de Asterix e Obelix ao lado de René Goscinny, nesta terça-feira, deixou várias gerações de quadrinistas desamparadas no mundo todo. O personagem fez parte da infância da cartunista Laerte.

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— Sempre achei as histórias fascinantes. Gosto muito do roteiro do Goscinny, mas o desenho do Uderzo também é competente e firme, dentro de uma tradição francesa e belga — diz Laerte. — O personagem é muito feliz na identificação do orgulho nacional francês e seu enfrentamento com o imperialismo americano.

Autor da charge "'Malvados", André Dahmer é outro foi marcado pela saga, especialmente pela combinação entre desenho e roteiro.

— Muito raro que dois gênios se encontrem e trabalhem juntos com tamanha sintonia — diz Dahmer. — O resultado não poderia ser outro: roteiros e desenhos primorosos para uma fábula sobre resistência contra a opressão e a hegemonia.

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Autor de livros e biografias sobre quadrinhos, o jornalista e quadrinista Gonçalo Júnior considera Asterix a "maior criação dos quadrinhos europeus no século XX", capaz de rivalizar em popularidade com o universo dos super-heróis americanos.

— Com uma diferença: ao contrário daqueles, o alcance de Asterix sempre foi maior de público e de faixa etária e virou quase um ritual religioso acompanhar nesses mais de 50 anos a produção e o lançamento de cada álbum, mesmo depois da morte de Goscinny — diz Júnior. — A partir daí, Uderzo se mostrou talentoso o suficiente para alimentar o mito que os dois criaram. Asterix viveu nos primórdios da era cristã e continuará a existir daqui a cinco mil anos com a condição de ter elevado os quadrinhos a um outro patamar, o de arte. Por tudo isso, Uderzo merece toda reverência possível.
Para Sidney Gusman, editor do desenhista Mauricio de Sousa, Albert Uderzo foi um "gigante dos quadrinhos".

— Seu traço leve e cheio de movimento e humor encantou gerações de leitores e balizou o estilo de muitos profissionais que vieram depois dele — diz. — Hoje, aqueles irredutíveis gauleses, que tanto divertiram milhões de pessoas mundo afora, estão tristes. Assim como nós, fãs.
Em seu Twitter, o quadrinista Carlos Ruas homenageou Uderzo com o desenho de uma lápide em forma de Menir, em referência aos túmulos gauleses


Ver imagem no TwitterO Menir tambem apareceu na homenagem do quadrinista francês Riad Sattouf, autor de "O arabe do futuro".




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Após o atentado terrorista que matou diversos cartinistas da revista satírica Charlie Hebdo, Uderzo interrompeu a aposentadoria e fez um desenho em homenagem aos colegas. Agora, a publicação parisiense devolveu o gesto, fazendo várias homenagens ao pai de Asterix. Numa delas, eles brincam: "Uderzo se foi sem nos deixar a receita da poção mágica".

A prefeita de Paris também se manifestou pelo Twitter. "Uderzo está em todas as nossas casas", escreveu.






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