May 29, 2026

Paul McCartney não precisa mais fazer música, ele faz apenas porque gosta: 'Se a liberdade levar a um sucesso, ótimo

Paul McCartney mostra capa de novo álbum, 'The boys of Dungeon Lane'

Jon Pareles

Para Paul McCartney, compor não é apenas um trabalho, uma arte e uma válvula de escape emocional. É uma compulsão, um desejo incontrolável. “As pessoas perguntam: ‘Mas por que você ainda escreve canções?’ Simplesmente porque eu amo fazer isso. Sou viciado”, disse ele em uma entrevista no Boulevard Carroll, um labirinto de estúdios no extremo oeste de Manhattan, onde o cantor e compositor de 83 anos acabara de encerrar uma tarde de ensaio para o episódio final da temporada do “Saturday Night Live”. “De um buraco negro surge leite e mel. É uma sensação maravilhosa.”

Por mais prolífico que tenha sido — nos Beatles, Wings e em seus álbuns solo — McCartney, de 83 anos, não segue nenhuma disciplina ou rotina para compor. “Pode ser em qualquer lugar, com algum tempo livre e meu violão ao lado, ou um piano por perto. Então a vontade me domina”, disse ele. “Sempre que acerto alguma coisa, é tipo, uau, que sensação incrível. Sabe, todo esse processo criativo é fantástico. Digo que é melhor do que trabalhar.”

Mesmo para um ensaio, McCartney estava impecavelmente vestido. Usava um paletó azul, uma camisa preta com bolinhas cor de rosa, calças pretas, sapatos de sola branca e meias com um desenho psicodélico de bolhas azuis sob uma listra amarela brilhante.

Alguns dias depois, McCartney se apresentou no “SNL”, tocando músicas antigas e novas, incluindo “Days we left behind”, de seu novo álbum, “The Boys of Dungeon Lane”. Cinco dias depois, foi o convidado surpresa do “The Late Show with Stephen Colbert”, no palco do Ed Sullivan Theater, onde os Beatles fizeram sua estreia na América do Norte em 1964. No último episódio do programa de Colbert, cantou “Hello Goodbye”, dos Beatles.

'Você não tem qualificações'

Pessoalmente, McCartney lida com suas seis décadas de fama com uma simplicidade extraordinária. Ele é afável e despretensioso. Orgulhoso, mas não arrogante, e ainda se encanta com sua vida como músico. "Hoje em dia me pergunto como acabei me tornando compositor", refletiu. "Porque, sabe, quando era um garoto na escola, conversei com o orientador vocacional e ele me disse: 'Você não tem qualificações e... não vejo um grande futuro para você.' Então eu tive que aceitar isso e pensar: 'Que se dane — eu vou fazer alguma coisa.' E isso me fez trabalhar ainda mais para alcançar o sucesso, porque eu não deveria ter sucesso. Então, compor músicas foi uma das melhores coisas da minha adolescência."

A primeira música que ele escreveu foi uma canção com influências de rockabilly, "I lost my little girl". McCartney recordou: “Alguém me disse depois: ‘Essa música é sobre você ter perdido sua mãe.’ Eu escrevi por volta dos 14 ou 15 anos, e ela tinha falecido pouco antes.” Embora os Beatles não tenham gravado a canção, McCartney a apresentaria mais tarde, na década de 1970, com o Wings. “Isso é interessante sobre as músicas”, disse ele. “Sem saber, você acaba se aprofundando em assuntos sobre os quais talvez fosse difícil falar.”

Em “The Boys of Dungeon Lane”, muitas das novas canções revisitam sua infância em Liverpool, Inglaterra, e os primeiros dias dos Beatles. Em “Down South”, ele relembra o encontro com John Lennon enquanto viajavam de carona para o sul, rumo a Londres. Ringo Starr se junta a McCartney para cantar e tocar bateria em “Home to Us”, sobre sua cidade natal sem glamour.

McCartney gravou o álbum com Andrew Watt, produtor vencedor do Grammy que já trabalhou com os Rolling Stones, Miley Cyrus, Lady Gaga, Iggy Pop e Pearl Jam. "É incrível ver o Paul trabalhando", disse Watt em uma entrevista por telefone. "As pessoas falam em 10 mil horas de experiência — ele tem milhões de horas dedicadas à produção e gravação de discos. Então, a capacidade dele de entender microfones, como arranjar, como compor, como tocar cada instrumento é incrível. E ele se diverte muito quando toca. Ele fica pulando pela sala, alternando entre os instrumentos, dançando, rindo. É uma experiência realmente prazerosa trabalhar com ele."

Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers que substituiu um músico de última hora na apresentação do "SNL", também foi muito entusiasmado. "Não tenho adjetivos para descrever o quão incrível foi", disse Smith em uma entrevista por telefone. “Ele ficava dizendo: ‘Só façam com que seja divertido.’ Sabe, ele não precisa mais tocar se não quiser, e não precisa gravar discos. É muito inspirador ver essa energia. Ele realmente ama isso.”

Para McCartney, colaborar com Watt despertou memórias. “Trabalhar com um produtor mais jovem me incentiva a revisitar todas as minhas histórias”, disse McCartney. “Principalmente as dos Beatles, porque foi a primeira coisa quando éramos crianças. E esse tipo de memória, eu acho, para a maioria das pessoas, é o mais precioso.”

“The Boys of Dungeon Lane” também exalta a irreverência musical que acompanhou McCartney por toda a vida. A faixa de abertura, “As you lie there”, vai de uma lembrança aconchegante para um grito de McCartney imitando Little Richard. “Never know” assume um tom psicodélico, com vocais em contraponto compostos por sílabas sem sentido e uma majestosa construção final. “Salesman Saint”, uma canção sobre os pais de McCartney que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial em Liverpool com “risos e uma canção”, transita por compassos variáveis ​​e, de repente, explode com metais vibrantes de big band.

Ultimamente, as memórias de McCartney têm ressurgido. O Rock & Roll Hall of Fame em Cleveland acaba de inaugurar uma exposição dedicada ao Wings, a banda de sucesso de McCartney na década de 1970. Ele forneceu alguns figurinos e objetos — mas não seu baixo Höfner em formato de violino. “Não posso dar meu baixo para eles, porque ainda uso ele”, disse.

Em Londres, o antigo prédio da sede da Apple, no número 3 da Savile Row, será reaberto como museu. Os fãs poderão visitar o estúdio reconstruído no porão, onde os Beatles gravaram “Let It Be”, e o terraço onde a banda fez sua última e breve apresentação. “Museu implica em poeira”, disse McCartney. “Não acho que será assim. Acho que será bem animado.”

Dungeon Lane, mencionada em “Days we feft behind”, é uma rua em Liverpool que leva à margem do rio Mersey, onde McCartney gostava de observar pássaros. Era também onde valentões locais rondavam, e um dia roubaram seu relógio.

“Quando você compõe, o que escreve se torna uma metáfora para algo maior do que você está expressando”, disse, citando a letra da música. “‘Alguns sentirão a dor, mas alguns foram feitos para mais.’ ‘Alguns foram feitos para mais’ somos nós — os caras que escaparam.”

McCartney revisitou seus antigos métodos de estúdio durante a produção do novo álbum. Durante uma reorganização corporativa da EMI, a gravadora dos Beatles por muitos anos, seus contadores decidiram vender os equipamentos do estúdio Abbey Road. McCartney comprou muitos dos instrumentos, entre eles o Mellotron que usou em "Strawberry Fields", o piano vertical que tocou em "Because" e um gravador de fita Studer de quatro canais, que pode ter sido usado para gravar "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", embora McCartney não tenha conseguido comprovar se é exatamente o mesmo aparelho.

Ele ainda usa os equipamentos antigos. Uma nova faixa, "We two" — uma canção carinhosa sobre amor, parceria, apoio e respeito mútuos — foi inteiramente gravada em fita no Studer. A tecnologia atual oferece um número infinito de faixas que podem ser ajustadas a qualquer momento. Mas, ao produzir "Sgt. Pepper", os Beatles tiveram que mixar vários instrumentos em uma única faixa imutável, repetidas vezes. “Usamos exatamente o mesmo processo que ele usava nos Beatles, tipo, 100%”, disse Watt — até mesmo na edição final, cortando a fita com uma lâmina de barbear.

“We two” termina com o som de uma fita rebobinando — um som que desapareceu na era digital. “A gente só colocou isso porque ninguém ouve mais”, disse McCartney. “Antes dava para ouvir, em todos os discos que a gente gravava.”

McCartney não se preocupa mais em fazer sucessos. "Ao tentar ser criativo, é bom se muita gente gostar", disse ele. "Mas não é tudo. Não é nem de longe tão importante para mim quanto é para algumas pessoas. Eu gosto de liberdade. E se a liberdade levar a um sucesso, ótimo. Se a liberdade me levar apenas a curtir o processo, provavelmente melhor ainda."

O que importa para ele agora é simplesmente fazer música. "É um mundo mágico, a música", disse McCartney. "Cientificamente falando, é apenas um conjunto de frequências. Então, como essas frequências podem afetar o seu coração? Eu entendo, se tem letra, às vezes você pensa, 'ah, sim'. Mas se for só uma melodia — como isso pode te fazer chorar? Isso é mágico. Eu adoro."

Ao final da entrevista, McCartney ficou parado na porta, observando dois funcionários do estúdio se movimentarem em direções opostas. Ele sorriu. "Hello, goodbye", disse.

THE NEW YORK TIMES

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Sonny Rollins, Giant of the Jazz Saxophone, Is Dead at 95

Even by the standards of a music that prizes individuality, he stood out, as both a musician and a personality

A man with a halo of gray hair and a gray beard wears a black shirt and holds a saxophone in front of a painted screen.

 

Sonny Rollins, whose forceful and imaginative approach to the tenor saxophone made him one of the dominant jazz musicians of the post-World War II era, died at his home in Woodstock, N.Y., on Monday. He was 95.

His death was announced in a statement from his publicist, Terri Hinte.

Even by the standards of a music that prizes individuality, Mr. Rollins stood out, as both a musician and a personality.

In the late 1940s, when most young jazz saxophonists favored a light tone with minimal vibrato, he developed a fat, full-bodied sound that was a throwback to the older style of Coleman Hawkins, the first great tenor saxophonist in jazz. In the late 1950s, when his career as a bandleader was just getting off the ground, Mr. Rollins abruptly began a hiatus that lasted more than two years — mostly, he explained later, because he was not satisfied with the quality of his playing.

Mr. Rollins came of age when a new kind of jazz known as bebop was in ascendance, and from the start his playing was suffused with bebop’s harmonic sophistication and rhythmic daring. To classify him as a bebopper, however, would be an oversimplification.

Over the years he flirted with the avant-garde, jazz-rock fusion and other styles. But with his ferocious energy, his penchant for playing the unexpected note at the unexpected moment, and his unusual sound — sometimes harsh and mocking, sometimes lush and romantic — he was ultimately unclassifiable.

ImageA man with a wild gray hair and beard wears a long white shirt while bending over and playing the saxophone.
Mr. Rollins performing at the Detroit Jazz Festival in 2012. He played his last concert that year; two years later, he stopped playing altogether.Credit...Jack Vartoogian/Getty Images

“The music I play is too big to be put into any one style,” he told an interviewer in 2002. “Every time I pick up the horn, I want to hear something fresh.”

That commitment to freshness was the key to Mr. Rollins’s approach, and to his appeal. The jazz critic Francis Davis wrote in 2000 that Mr. Rollins “is the greatest living jazz improviser, and if we redefine virtuosity to include improvisational cunning as well as instrumental finesse (as we probably should when discussing this music), he may be the greatest virtuoso ever produced by jazz.”

Mr. Rollins was rarely satisfied with his own playing; he often came away from a performance or a recording session proclaiming that he was sure he could have done better. He unquestionably did have his off nights, perhaps more than any other jazz musician of his stature, but some fans saw this as a positive sign: The occasional bad night, they argued, was a small price to pay for his willingness to take chances and his refusal to constantly play the same things the same way.

“The real playing happens on a subconscious level, and at that point the clichés don’t happen,” Mr. Rollins told The New York Times in 1989. “When I’m really playing, my mind is completely blank.”

Walter Theodore Rollins was born in Harlem on Sept. 7, 1930, the youngest of three children of Valborg (Solomon) and Walter William Rollins, who were from the Virgin Islands. His father was a naval steward.

Sonny Rollins reversed his first and middle names shortly after becoming a professional musician because problems with the law had made it hard for him to get working papers under his real name.

He began studying music at an early age, and although he also studied art and showed some interest in becoming a painter, he was playing saxophone professionally before he was out of his teens. He made his first recordings in 1949, with the singer Babs Gonzales, and he was soon in demand on the New York jazz scene, working with major figures like Miles Davis, Thelonious Monk and Bud Powell.

Mr. Rollins’s career was briefly derailed in the early 1950s when, like many other jazz musicians of his generation, he became addicted to heroin. But by 1955 he had overcome his addiction and achieved national prominence as a member of the popular quintet led by the drummer Max Roach and the trumpeter Clifford Brown.

Through his work with that group, and on a series of albums he recorded as a leader between 1956 and 1958, Mr. Rollins established himself as one of the most inventive jazz musicians of his generation.

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In this black and white photo, a young man wears a light-colored jacket and plays the saxophone.
Mr. Rollins in 1956, the year he released the critically acclaimed albums “Saxophone Colossus” and “Tenor Madness.”Credit...Bob Parent/Getty Images

In 1956 alone, he recorded two albums that came to be regarded as classics: “Tenor Madness,” which included his only recorded meeting with his fellow saxophonist John Coltrane, and “Saxophone Colossus” (the title referred both to his physical stature and to his rapidly growing artistic one). Two tracks on “Saxophone Colossus” drew particular praise from critics: “Blue 7,” an ingenious blues improvisation, which was the subject of a much-quoted essay by the composer and historian Gunther Schuller, “Sonny Rollins and the Challenge of Thematic Improvisation”; and “St. Thomas,” an adaptation of a traditional West Indian song that was the first and most famous of the many jazz-calypso fusions Mr. Rollins would record over the years.

A year later, frustrated by what he saw as the harmonic limits imposed by having a pianist play chords behind his improvisations, he began performing and recording accompanied only by a bassist and drummer, an unusual (though not unprecedented) approach at the time. (Pianists “got in the way,” he said at the time. “They play too much.”) He recorded several memorable albums without piano, one of which, “The Freedom Suite” (1958), was noteworthy not just for its spare instrumentation but also for its 19-minute title track, a composition in four movements written by Mr. Rollins as a musical commentary on racial inequality — a bold move in the early days of the civil rights movement.

By 1959, Mr. Rollins was receiving consistently glowing reviews and was widely regarded as one of jazz’s new stars. Nonetheless, that year he suddenly stopped performing and recording and virtually disappeared from the public eye.

Over the next two years, convinced that his playing was not up to his own standards, Mr. Rollins devoted much of his time to practicing, often late at night on the Williamsburg Bridge, not far from his apartment on the Lower East Side of Manhattan, where the acoustics appealed to him and there were no neighbors to complain. His absence from the scene, and reports of his bridge sessions, added to his growing mystique, and to his growing reputation as a perfectionist.

“A lot of people couldn’t comprehend why I would stop playing,” he told DownBeat magazine in 2001. “But I learned something. It was necessary for me to do to have the kind of confidence I need to play music like this.”

Mr. Rollins’s return to action in 1961, complete with a contract from RCA Victor Records that was unusually lucrative for a jazz musician, was treated as major news by the jazz press. (In an attempt to cash in on the publicity he had generated during his long absence, the company called his comeback album “The Bridge,” which was also the title of one of the tracks.)

Over the next several years, his profile remained high: He performed in nightclubs, in concert and at festivals all over the world, and he wrote and recorded music for the hit 1966 British film “Alfie.” And his music remained consistently surprising.

He surrounded himself with an ever-shifting cast of talented musicians, ranging from young experimentalists (he alienated many old fans and won some new ones by enthusiastically, if briefly, working with avant-gardists like the trumpeter Don Cherry) to the venerable Coleman Hawkins, the saxophonist he called his idol, with whom he recorded an album in 1963.

The 1960s were a busy and productive time for Mr. Rollins. But before the decade was over, he had vanished again.

He did no recording and almost no performing between 1966 and 1972, spending much of his time in Japan and India on what he later said was a spiritual quest. He returned to the studio in 1972 to record “Sonny Rollins’ Next Album” for the small Milestone label, for which he would continue to record for more than 30 years, and he was soon back at the forefront of the jazz world.

Critics were often unkind to Mr. Rollins in the years following his comeback, especially when, like many of his fellow jazz musicians in the 1970s and ’80s, he embraced electric instruments and rock rhythms. He even collaborated with the Rolling Stones, overdubbing saxophone parts to three tracks on their album “Tattoo You” (1981), although he turned down an offer to tour with them. In performance, he began emphasizing the more obviously crowd-pleasing elements of his music, notably his penchant for calypsos.

“I’m often criticized about the ’70s and ’80s because I used a backbeat and guitars and all, but I don’t understand a lot of it,” he said in 2001. “I was trying to find different ways to make my music relevant. I’ve never thought of myself as being on some pinnacle where I can’t play a calypso or a backbeat.”

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A man wearing sunglasses and a pale jacket is seen from below playing the saxophone.
Mr. Rollins onstage in the Netherlands in 1987. He was rarely satisfied with his work and he often came away from a performance or recording session proclaiming that he was sure he could have done better.Credit...Frans Schellekens/Redferns, via Getty Images

The criticism he received — which continued beyond the 1980s — was often marked by an unusual mixture of admiration and regret. Reviewing a concert in 1993, Peter Watrous of The Times praised Mr. Rollins as “one of the greatest improvisers walking this earth,” but also called him “a man bent on misspending the capital of genius” who “plays music that rarely challenges his own historical achievements, and that in its simplicity seems to pander to his audience.” Mr. Rollins, he wrote, “seems unable, or unwilling, to present himself in a context that would give dignity to his great ability, or even just acknowledge it.”

Regardless of the reviews, Mr. Rollins in those years achieved the greatest success of his career. Although the audience for jazz ebbed and flowed, he was consistently one of the music’s most popular concert attractions. He gave much of the credit for his success to his wife, Lucille (Pearson) Rollins, who was also his manager and his co-producer on many albums.

Ms. Rollins died in 2004. An earlier marriage, to the actress and model Dawn Finney, ended in divorce. No immediate family members survive.

Mr. Rollins for many years had homes both in Lower Manhattan and in upstate Germantown, N.Y. He abandoned his Manhattan apartment in the wake of the 2001 terrorist attacks. He moved from Germantown to Woodstock, N.Y., in 2013.

Although he worked primarily with small groups, Mr. Rollins sometimes experimented with other configurations. In 1985 he gave a solo concert at the Museum of Modern Art in New York, improvising for two hours without accompaniment. That same year he performed his “Concerto for Tenor Saxophone and Orchestra” in Tokyo with the Yomiuri Nippon Symphony Orchestra. (“I was trying to synthesize two elements by remaining true to the symphonic form and also to the way I play,” he explained.)

Mr. Rollins continued to tour and record well into the 21st century. He also did his best to weather the changes in the music business.

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A blonde woman wears a pale blue suit with embroidered gold plants and sits next to an older man with a beard wearing a tuxedo and a rainbow fabric necklace.
Hillary Clinton, then the secretary of state, sat with Mr. Rollins when he received a Kennedy Center Honor from President Barack Obama in 2011.Credit...Pool photo by Ron Sachs

In 2005 he started his own record company, Doxy, named after one of his best-known compositions, which released a well-received series of live albums. In 2006, Mr. Rollins — who told The Times in an interview that year, “I hate technology myself” — began offering free audio and video clips on a newly created website, sonnyrollins.com.

In Mr. Rollins’s later years, the honors piled up. A two-time Grammy Award winner, he received a lifetime achievement Grammy in 2004. In 2010 he was elected to the American Academy of Arts and Sciences and became the first jazz musician to receive the prestigious Edward MacDowell Medal for achievement in the arts. In 2011 he received both a National Medal of Arts and a Kennedy Center Honor. (The encomiums had begun much earlier: He was named a Jazz Master by the National Endowment for the Arts in 1983.)

Despite the honors, he continued to explore — to search for, as he put it in an interview with The Times in 1984, “the ultimate sound.”

“That’s why I keep practicing,” he said. “I’ll know when I find the ultimate sound, because I’ll be completely fulfilled just by the sound of it and by what I’m able to do with it instrumentally.”

Mr. Rollins’s archives, including hundreds of recordings from rehearsals and practice sessions, were acquired in 2017 by the Schomburg Center for Research in Black Culture in Harlem. That same year, a bill was introduced in the New York City Council to rename the Williamsburg Bridge in his honor. (The bill did not pass, but the campaign to have the bridge renamed has continued.)

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A man in a pale shirt wears sunglasses and plays the saxophone outside in front of a dark blue barn.
Mr. Rollins in 2005. Throughout his career, he continued to search for “the ultimate sound.” “I’ll be completely fulfilled,” he once said, “just by the sound of it and by what I’m able to do with it instrumentally.”Credit...Eric Johnson for The New York Times

In 2022, he was the subject of an acclaimed biography, “Saxophone Colossus,” by Aidan Levy.

With the death of his fellow saxophonist Benny Golson in 2024, Mr. Rollins became the last survivor of the nearly 60 musicians captured by the photographer Art Kane in his celebrated Esquire magazine group portrait “Harlem 1958.”

“I was a fan,” Mr. Rollins told The Times in recalling the photo shoot in 2024. “I was in the picture, but it wasn’t so much as a musician — although I happened to be there as a musician — but I had been following jazz all my short life up to that time, so I knew a great deal about the guys.” He added that he was particularly proud to have been photographed alongside “my particular idols, Coleman Hawkins and Lester Young.”

In his later years Mr. Rollins experienced respiratory problems. He never formally announced his retirement, but in 2012, after being diagnosed with pulmonary fibrosis, he gave his last public performance. Two years later, he also stopped playing at home.

“The reason my retirement happened quietly was because my health problems were gradual,” he told The New York Times Magazine in 2020. “It took me a while to realize, hey, that’s gone now.”

“When I had to stop playing,” he said, “it was quite traumatic. But I realized that instead of lamenting and crying, I should be grateful for the fact that I was able to do music all of my life.”

 THE NEW YORK TIMES

 

 

May 22, 2026

The Guardian elege '100 melhores romances de todos os tempos


Jornal britânico elege '100 melhores romances de todos os tempos'

 Nem Machado de Assis, nem José Saramago. Na lista dos “100 melhores romances de todos os tempos” publicada pelo jornal britânico The Guardian não há nenhuma obra brasileira ou escrita em língua portuguesa. O primeiro lugar ficou com um romance tipicamente inglês (e pouco conhecido no Brasil): “Middlemarch: um estudo da vida provinciana”, de George Eliot, que veio à lume em 1872. 

 Descrito por Virginia Woolf como “um dos poucos romances ingleses escritos para adultos”, o livro apresenta um painel da vida no interior da Inglaterra na Era Vitoriana e trata de temas como amor, fé, amizade, traição, ciência, política, moralidade e poder. “Tudo bem, ele não é tão obviamente passional quanto ‘O morro dos ventos uivantes’ (e dificilmente ganharia uma trilha sonora de Charli xcx), o número 20 da nossa lista, nem tão divertido quanto ‘Orgulho e preconceito’ (na nona posição). Mas toda a vida humana está aqui”, escreveu Lisa Allardice, jornalista responsável pela cobertura de livros no Guardian.

O segundo lugar ficou com “Amada”, da americana Toni Morrsion, a única escritora negra vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Em terceiro, está “Ulysses”, romance do irlandês James Joyce que radicalizou o modernismo literário. O autor com mais obras na lista é Virginia Woolf, que aparece com “Ao farol”, Mrs. Dalloway”, “Orlando”, “As ondas” e “O quarto de Jacob”.

Cerca de três quartos das obras citadas foi escrita originalmente em inglês. Também foram contemplados clássicos da literatura russa — como “Os irmãos Karamázov”, de Fiódor Dostoiévski, e “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói —, obras-primas francesas — como “Em busca do tempo perdido”, o monumental romance de Marcel Proust publicado em sete volumes —, e livros escritos em alemão, como “O processo” e “A metamorfose”, de Franz Kafka. Apenas dois livros latino-americanos foram lembrados: “Cem anos de solidão”, do colombiano Gabriel García Márquez, e “Pedro Páramo”, do mexicano Juan Rulfo.

A obra mais antiga da lista é “Dom Quixote”, do espanhol Miguel de Cervantes, publicada no começo do século XVII. A maioria dos romances data dos séculos XIX e XX e apenas dez foram lançados depois do ano 2000, como “A amiga genial”, da italiana Elena Ferrante, e “Meio sol amarelo”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Eram elegíveis para a lista romances que já tenham sido publicados em inglês, independentemente do idioma em que foram escritos. Os votantes foram 172 intelectuais e personalidades literárias, como os escritores Stephen King, Bernardine Evaristo, R.F. Kuang e Salman Rushdie (cujo “Os filhos da meia-noite”) também entrou na lista.

A jornalista Lisa Allardice reconhece que se trata de uma lista “parcial — como toda lista é”. “Tampouco podemos reivindicar um caráter definitivo — trata-se de literatura, não de ciência. O melhor romance é aquele que transforma o gênero, a sociedade ou o indivíduo? Aquele que captura o espírito de uma época ou cuja vida se prolonga muito além de suas páginas? Ou um romance que se grava tão profundamente em sua alma que você consegue se lembrar exatamente de quando e onde o leu pela primeira vez?”, questionou.

Veja a lista completa abaixo:

  • “Middlemarch”, George Eliot
  • “Amada”, Toni Morrison
  • “Ulysses”, James Joyce
  • “Rumo ao farol”, Virginia Woolf
  • “Em busca do tempo perdido”, Marcel Proust
  • “Anna Kariênina”, Liev Tolstói
  • “Guerra e paz”, Liev Tolstói
  • “Jane Eyre”, Charlotte Brontë
  • “Orgulho e preconceito”, Jane Austen
  • “Madame Bovary”, Gustave Flaubert
  • “O grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald
  • “A casa soturna”, Charles Dickens
  • “Emma”, Jane Austen
  • “Mrs. Dalloway”, Virginia Woolf
  • “Moby Dick”, Herman Melville
  • “1984”, George Orwell
  • “Cem anos de solidão”, Gabriel García Márquez
  • “Persuasão”, Jane Austen
  • “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy”, Laurence Sterne
  • “O morro dos ventos uivantes”, Emily Brontë
  • “Retrato de uma senhora”, Henry James
  • “O mundo se despedaça”, Chinua Achebe
  • “Os filhos da meia-noite”, Salman Rushdie
  • “Os vestígios do dia”, Kazuo Ishiguro
  • “Lolita”, Vladimir Nabokov
  • “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes
  • “O processo”, Franz Kafka
  • “Os irmãos Karamázov”, Fiódor Dostoiévski
  • “Fogo pálido”, Vladimir Nabokov
  • “Frankenstein”, Mary Shelley
  • “A primavera da srta. Jean Brodie”, Muriel Spark
  • “O deus das pequenas coisas”, Arundhati Roy
  • “David Copperfield”, Charles Dickens
  • “Wolf Hall”, Hilary Mantel
  • “Grandes esperanças”, Charles Dickens
  • “O conto da aia”, Margaret Atwood
  • “Homem invisível”, Ralph Ellison
  • “A idade da inocência”, Edith Wharton
  • “Seus olhos viam Deus”, Zora Neale Hurston
  • “Canção de Solomon”, Toni Morrison
  • “Coração das trevas”, Joseph Conrad
  • “A montanha mágica”, Thomas Mann
  • “Housekeeping”, Marilynne Robinson
  • “O quarto de Giovanni”, James Baldwin
  • “O caderno dourado”, Doris Lessing
  • “O leopardo”, Giuseppe Tomasi di Lampedusa
  • “Feira das vaidades”, William Makepeace Thackeray
  • “A metamorfose”, Franz Kafka
  • “Um delicado equilíbrio”, Rohinton Mistry
  • “Vasto mar de sargaços”, Jean Rhys
  • “A amiga genial”, Elena Ferrante
  • “A taça de ouro”, Henry James
  • “O trânsito de Vênus”, Shirley Hazzard
  • “Orlando”, Virginia Woolf
  • “As ondas”, Virginia Woolf
  • “Mansfield Park”, Jane Austen
  • “O som e a fúria”, William Faulkner
  • “Desonra”, J. M. Coetzee
  • “Não me abandone jamais”, Kazuo Ishiguro
  • “Howards End”, E. M. Forster
  • “Os anéis de Saturno”, W. G. Sebald
  • “Meio sol amarelo”, Chimamanda Ngozi Adichie
  • “Dentes brancos”, Zadie Smith
  • “O bom soldado”, Ford Madox Ford
  • “A cor púrpura”, Alice Walker
  • “O mestre e Margarida”, Mikhail Bulgakov
  • “O homem sem qualidades”, Robert Musil
  • “Meridiano de sangue”, Cormac McCarthy
  • ‘Crime e castigo”, Fiódor Dostoiévski
  • “Judas, o obscuro”, Thomas Hardy
  • “Kindred: laços de sangue”, Octavia E. Butler
  • “Nosso amigo em comum”, Charles Dickens
  • “Austerlitz”, W. G. Sebald
  • “Condições nervosas”, Tsitsi Dangarembga
  • “O olho mais azul”, Toni Morrison
  • “Drácula”, Bram Stoker
  • “O arco-íris”, D. H. Lawrence
  • “Uma casa para o sr. Biswas”, V. S. Naipaul
  • “Proclamem nas montanhas”, James Baldwin
  • “Rebecca”, Daphne du Maurier
  • “Os Buddenbrook”, Thomas Mann
  • “Fim de caso”, Graham Greene
  • “Adeus às armas”, Ernest Hemingway
  • “O talentoso Ripley”, Patricia Highsmith
  • “A vegetariana”, Han Kang
  • “A outra volta do parafuso”, Henry James
  • “A linha da beleza”, Alan Hollinghurst
  • “Ragtime”, E. L. Doctorow
  • “A mão esquerda da escuridão”, Ursula K. Le Guin
  • “O quarto de Jacob”, Virginia Woolf
  • “Vida e destino”, Vassili Grossman
  • “A educação sentimental”, Gustave Flaubert
  • “As cidades invisíveis”, Italo Calvino
  • “O mundo conhecido”, Edward P. Jones
  • “O retorno do nativo”, Thomas Hardy
  • “Pedro Páramo”, Juan Rulfo
  • “Ardil-22”, Joseph Heller
  • “A estrada”, Cormac McCarthy
  • “O mensageiro”, L. P. Hartley
  • “My Ántonia”, Willa Cather

GLOBO  


May 20, 2026

How Plausible Is ‘Project Hail Mary’? Astrophysicists Have Thoughts

 

 In a scene set on a spaceship, a man is a at work near a scientific instrument.

 

“The stars weren’t big enough,” Mark Popinchalk said. “Stars are really big.”

Popinchalk, a postdoctoral fellow at the American Museum of Natural History, was voicing a quibble with “Project Hail Mary,” the sci-fi blockbuster. Starring Ryan Gosling as Ryland Grace, a reluctant astronaut, it follows a desperate mission to save the human race, through perilous interstellar travel and some nifty microbiology experiments.

The film has inspired online argument about everything from its cheery vision of international cooperation to Grace’s rumpled, cardigan-friendly style. But much of the debate has centered on the film’s science.

In some ways, this is silly. “Project Hail Mary” is a work of science fiction, emphasis on the fiction. And while it’s possible to get caught up in the wattage of a light saber or the precise speed a warp drive allows, such speculation is extraneous to the stories. But this movie is based on a novel by Andy Weir (“The Martian”), who writes hard science fiction, which blends imagined tales with fact, or at least plausibility. As Weir said recently, scientific accuracy is his “whole shtick.”

So discussions of the science of “Project Hail Mary” aren’t exactly ancillary. Armchair physicists and even some actual physicists have powered countless online threads with questions around interstellar travel, alien life and why Grace, who has a doctorate in microbiology, can’t seem to balance a centrifuge.

The film, like the book, relies on a premise that a microbe called astrophage, a fictional space mold, has entered our solar system, absorbing enough of the sun’s light to send the Earth into an ice age. It has also attacked other suns, imperiling other planets. Jillian Bellovary, a scientist who directs the masters program in astrophysics at the CUNY Graduate Center, dismissed this crisis.

“Nothing can siphon the sun’s light away,” she said. “It’s a cute idea, OK, but that is not a thing.” This was also Popinchalk’s chief complaint, that the sun and similar stars are so massive that it would take a phenomenal amount of microbes to affect its light. Other scientific grumbles: that xenon, a noble gas, could transform into a pliant solid; that microbes cannot only survive but even thrive in the vacuum of space; that these microbes would somehow power interstellar travel.

“It is very squishy,” Charlotte Olsen, an astrophysicist at City Tech who specializes in galaxy formation, said of that idea. But Olsen didn’t mind the squish, in part because the film was accurate in so many other ways, like its depiction of the silence of space or the physics of a spacewalk, the work of rotational gravity or a moment when Rocky, the alien engineer who befriends Grace, calls out the lameness of naming a planet Tau Ceti e.

Many of the seemingly implausible ideas of “Project Hail Mary” do have some basis in fact. There’s precedent for a dangerous calculation error and for the use of light emission to power spacecraft. Scientists have even been able to crystallize xenon, though they can’t yet manipulate it in the ways Rocky can. And if the idea that astrophage might harm the sun stretches credulity, a lack of light has plunged the Earth into ecological crisis. Just ask a dinosaur. (Some Reddit wags have joked that the book’s great lapse is the insistence that Grace might walk from the Neutral Buoyancy Laboratory to the Mission Control Center in the Houston heat.)

“I didn’t get too upset at any of the scenes,” Bellovary said. “I was never like, Oh my God, that’s so wrong. That never actually happens. A pretty good score for science.”

What might delight scientists most is the depiction of scientific thought. While “Project Hail Mary” has its share of explosions and catastrophes, it’s the thinking that’s thrilling. Grace and Rocky must come together, with tools and whiteboards, craft and ingenuity, to solve a seemingly insoluble problem. They make mistakes, but they learn from those mistakes and from each other.

“Getting things wrong is really important in science, and that’s not something that people who aren’t scientists really know,” Bellovary said.

The film also shows the importance of cooperation. Grace bounced out of academia after his thesis was mocked, suggesting that he doesn’t work well with others. But in Rocky, a faceless, adorable life form, Grace finds a colleague. “One of the core things that scientists do is collaborate,” Olsen said. “My take is that he learns to become a scientist because he learns how to collaborate.”

Before the mission, Grace worked as a middle school science teacher. (Could Grace pilot a spacecraft without proper training? That’s another detail the movie fudges.) Bridget Ierace, a high school science teacher and a science communicator, thinks her students could learn a lot from the film.

“It shows the people behind the science,” she said. “It shows that scientists make mistakes and have emotions and that there are different things that drive them.” That’s not necessarily a lesson in physics or microbiology, but it’s still a good one.

THE NEW YORK TIMES  

 

  

May 10, 2026

Rio, à espera de um milagre



À espera de um milagre
 

Por Maurício Thuswohl

 Há dez anos, o Rio de Janeiro vivia um clima de euforia olímpica. Prestes a receber a maior competição esportiva do mundo, o estado, impulsionado pelos recursos dos royalties do petróleo, prometia desenvolver o “maior hub tecnológico da América Latina” e via seu símbolo mais conhecido – o Cristo Redentor – decolar como um foguete na capa da revista The ­Economist. Uma década depois, vive a ressaca das oportunidades desperdiçadas, com a economia em ruínas e grandes áreas do território sob controle do crime organizado. Acéfalo, o Rio está sem governador há quase um mês, e a população fluminense nem parece notar a diferença.

Dar fim à indefinição política instalada desde a renúncia do governador bolsonarista Cláudio Castro, do PL, é o primeiro passo. A bola está nas mãos do Supremo Tribunal Federal, que discute como deverá ser realizada a eleição para um mandato-tampão no governo estadual até o fim do ano: direta ou indireta. Somadas à renúncia de Castro, à nomeação do vice Thiago Pampolha (MDB) para integrar o Tribunal de Contas do Estado e à prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), por suposto envolvimento com o Comando Vermelho, provocaram uma tripla vacância e a necessidade de eleições suplementares para escolher o ocupante definitivo do cargo, atualmente exercido de forma provisória pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Rodrigo Couto.

Até o momento, o placar do julgamento no STF é de 4 votos a 1 por eleições indiretas, nas quais os deputados estaduais­ devem escolher o governador interino. Os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia votaram em sentido oposto ao relator, Cristiano Zanin, que defendeu a votação direta, mas também abriu a discussão sobre a possibilidade de se evitarem as eleições suplementares com a permanência de Couto à frente do governo até o fim do ano. Nesse caso, o desembargador passaria o cargo diretamente ao governador que será eleito em outubro.

    Especialistas defendem a criação de uma força-tarefa federal para sanear o estado

Apesar do placar parcial, a expectativa pelo empate no Supremo é grande, pois os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que ainda vão votar, já manifestaram posição em favor das eleições diretas. A discussão foi interrompida por um pedido de vista de Dino e ainda restam os votos de Dias Toffoli e Edson Fachin.

Até lá, os bastidores políticos devem ferver com as articulações em torno dos dois principais postulantes ao governo estadual: o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, do PSD, apoiado pelo presidente Lula, e o deputado estadual ­Doug­las Ruas­, do PL, escolhido pelo senador ­Flávio Bolsonaro. Paralelamente, no governo federal, na oposição estadual e em parte da sociedade, há a avaliação de que a solução política, embora essencial, não basta para tirar o Rio do atoleiro. Para esses atores, impedir a continuidade do grupo de Castro, Bacellar e aliados no poder seria a única forma de conter a infiltração do crime organizado no estado.

“Nenhuma outra unidade da federação enfrenta a situação do Rio”, observou Dino no STF, após elencar os seis últimos governadores fluminenses, todos presos, afastados ou levados a renunciar para escapar à cassação. O magistrado lembrou a Operação Quinto do Ouro, levada a cabo pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal. “Prendeu o TCE do Rio inteiro, menos um. Isso nunca aconteceu em lugar nenhum do Brasil”, reiterou. Dino enumerou as prisões de “dois presidentes da Alerj, 13 deputados estaduais, um procurador-geral de Justiça e um procurador-geral do Estado” nos últimos anos. Esse é “o suporte empírico”, pondera o ministro, que deve ser levado em conta quando se tenta evitar as eleições indiretas, que, dada a correlação de forças na Alerj, manteria os grupos de Castro, Bacellar e Bolsonaro no poder.


Antes de pedir a Deus “piedade pelo Rio de Janeiro”, Gilmar Mendes lamentou a infiltração do crime organizado no Legislativo fluminense. “O presidente da Assembleia está preso. Eu conversava com o diretor da Polícia Federal, que dizia que 32 ou 34 parlamentares recebiam mesada do jogo do bicho”, afirmou o magistrado durante o julgamento. Em nota de desagravo, a Alerj disse não reconhecer “qualquer relação com a contravenção penal, bem como qualquer investigação neste sentido relacionada à atual legislatura”. Não reconhecer, está claro, não significa muita coisa.

São muitos os caminhos que podem ser seguidos por um eventual novo governo disposto a libertar o Poder Público do Rio da influência criminosa. Cada um deles, no entanto, demanda a organização de um trabalho conjunto que extrapole as atribuições estaduais. “É uma situação complexa porque, se temos banda podre na polícia, esta é sustentada também por uma banda podre na política e, muitas vezes, em setores do Judiciário, do Ministério Público. Então é preciso ter o expurgo de várias bandas podres, sem o que não é possível avançar”, avalia Daniel Cerqueira, especialista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e coordenador do Atlas da Violência.

Uma missão dessa magnitude, acrescenta Cerqueira, só poderia ser realizada por uma força-tarefa federal. O termo soa quase como um palavrão para nove entre dez fluminenses, sobretudo após a desastrosa intervenção de 2018, comandada pelo então general Walter Braga Netto e marcada por arbitrariedades e violência. Cerqueira reconhece o desgaste: “Aquela operação foi um casuísmo do governo Temer para dizer que estava fazendo alguma coisa. Foi uma péssima decisão, que custou mais de 1 bilhão de reais aos cofres públicos, gerou insegurança nas comunidades e não trouxe qualquer avanço à segurança pública no Rio. Isso não pode mais ocorrer”.


O professor sugere, porém, uma alternativa distinta, mais próxima de uma experiência realizada há 24 anos em outro estado. “Temos como exemplo a força-tarefa do governo FHC, que envolveu a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Em 2002, esse grupo atuou no Espírito Santo, onde o presidente da Assembleia Legislativa era apontado como chefe do crime organizado, um coronel da Polícia Militar comandava o braço armado e até um juiz de execução penal integrava o esquema”, afirma. Aquela força-tarefa, relembra Cerqueira, conseguiu prender os principais envolvidos e enviá-los a presídios federais. “Isso possibilitou que o governador seguinte, empossado em 2003, iniciasse um processo de saneamento do estado.”

Cerqueira avalia ser possível fazer um trabalho de alto nível. “Junto à PF e ao MPF traríamos o Tesouro Nacional, o Coaf e outros órgãos não policiais, para acompanhar a questão da lavagem de dinheiro. Estamos falando de uma força-tarefa não para simplesmente aparecer com blindados nas ruas, mas baseada na investigação e na inteligência para identificar quem comanda o crime organizado, seja no Legislativo, no Executivo, no Judiciário ou nas próprias polícias”, ensina. O Rio, acrescenta o especialista, perdeu a capacidade de ter soluções internas. “O saneamento do estado não vai partir do próprio estado porque há uma Alerj dominada, um Executivo que até a gestão de Castro tinha muitas pessoas envolvidas, e bandas podres nas polícias e em setores da Justiça. É preciso uma força que venha de fora para conseguir extirpar esse câncer. Uma concertação, inclusive com o STF, para que o Estado brasileiro dê uma resposta contra o crime organizado no Rio”, destaca.

Coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima avalia que militarizar a ajuda federal não é solução. Para ele, “as respostas não estão meramente nos aspectos territoriais, por mais que estes tenham de ser enfrentados. O mais importante é ter soluções articuladas contra a lavagem de dinheiro, com rastreamento de mercadorias e ativos. E, ao mesmo tempo, pensar a regulação de mercados de áreas sensíveis, como criptoativos e combustíveis”. Operações de Garantia da Lei e da Ordem, avalia o sociólogo, drenam recursos públicos e trazem pouquíssimos resultados práticos. “O que precisamos é coordenar esforços, enfrentar com estratégia a questão da lavagem, da responsabilização de autores, e criar mecanismos de ­compliance, integridade e monitoramento.”

    Para vencer as facções, não basta disputar o controle territorial das comunidades

Lima ressalta a importância da cooperação federal e lembra o exemplo capixaba: “As forças federais, em muitos casos, são desestabilizadoras da dinâmica criminal e atuam para mudar o cenário. Isso já aconteceu no caso do Espírito Santo. Precisamos criar mecanismos de valorização institucional e competências compartilhadas. Assim, quando falhar a estrutura estadual, a estrutura federal pode entrar sem grandes dificuldades para investigar”.

Para a socióloga Julita Lemgruber, “é forçoso admitir que o Rio, sozinho, não vai sair desse lamaçal”. Ela vê a necessidade de uma articulação ampla que passe pela inteligência investigativa e por intensificar ações que reúnam as diversas polícias e o MP. “É preciso que isso aconteça com agilidade e frequência porque é o único caminho.” A fundadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) lembra que as últimas operações da PF no estado mirando a questão da corrupção foram bem-sucedidas. “Acabaram revelando conexões espúrias entre Legislativo, Executivo, Judiciário, milícias e crime organizado”, lembra. Se o futuro governador quiser mesmo reverter esse quadro, diz, um pré-requisito é indispensável: “É preciso que ele esteja disposto a trabalhar com o governo federal”.

Para Cerqueira, a primeira coisa que o futuro governador tem de fazer é extinguir as atuais secretarias de Polícia Militar e Polícia Civil e reformular a Secretaria de Segurança Pública, para que esta possa pensar estrategicamente o enfrentamento ao crime organizado no Rio. Também são fundamentais, na avaliação do professor, a remodelação, o fortalecimento das corregedorias e a criação de uma ouvidoria unificada das polícias “com independência, participação da sociedade civil e prerrogativa não apenas de identificar desvios de conduta, mas de fazer a investigação necessária para imputar responsabilidades”. Outra medida importante é implementar um mecanismo proativo de identificação e expurgo de policiais que cometem desvios de conduta. “É mais ou menos o que fez o prefeito Rudolph Giuliani em Nova York”, sugere.

Um dos principais estudiosos do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro e dos motivos de sua decadência, o economista Mauro Osório, professor da UFRJ, situa o período iniciado nos anos 1970 como ponto de inflexão, quando a economia fluminense entra em um processo contínuo de perda de dinamismo, causado a partir da transferência da capital federal da Guanabara para Brasília, mudança que não teve compensações econômicas para o Rio e cujos efeitos concretos só se fizeram sentir uma década depois. Em 1975, veio a fusão entre a Guanabara e o antigo estado do Rio, o que aprofundou a falta de estratégias regionais adequadas de ­desenvolvimento para os territórios carioca e fluminense. Finalmente, o enraizamento de uma cultura política clientelista e fisiológica levou ao progressivo desmonte da máquina pública e facilitou sua infiltração pelo crime organizado.

Enquanto o STF tarda a definir se a eleição para o mandato-tampão de Castro será direta ou indireta, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado Douglas Ruas (PL) se apresentam como candidatos – Imagem: Redes Sociais

Esse cenário levou a economia do estado a perder participação no PIB nacional ao longo de cinco décadas, passando de 16,7% em 1970 para 11,4% em 2022, uma queda de 31,4%, segundo dados do IBGE. Nesse mesmo período, a economia da cidade do Rio de Janeiro recuou de 12,8% do PIB nacional para 4%. Foi a maior perda entre as capitais brasileiras (68,9%). “Pouca gente acreditava que Juscelino Kubitschek iria, de fato, construir Brasília. A transferência da capital estava prevista desde a Constituição de 1891 e nunca havia sido realizada. O Rio não pediu nada quando a mudança ocorreu e quase nada lhe foi dado”, diz. Osório cita o caso alemão como contraponto: “Quando a capital alemã mudou de Bonn para Berlim, praticamente metade dos ministérios permaneceu em Bonn, como forma de compensação”.

Osório aponta como fatores decisivos as fusões das seções carioca e fluminense da Arena e do MDB – legendas do bipartidarismo vigente à época da ditadura –, além da consolidação de Chagas Freitas como principal liderança do estado. Para ele, esse processo resultou no fortalecimento excessivo da Alerj, um cenário que persiste até hoje e transformou a Casa em porta de entrada para o clientelismo e outros problemas da política estadual. “Essa lógica de clientela, pouco a pouco se transforma em prática mafiosa. E a partir daí o Estado vai se desestruturando”, explica.

    A participação do estado no PIB nacional caiu de 16,7% em 1970 para 11,4% em 2022

O deputado estadual Carlos Minc, do PSB, avalia que reverter a infiltração do crime na política do Rio é uma tarefa difícil e critica a postura da Assembleia Legislativa. Para ele, a Casa tem sido muito condescendente com políticos ligados ao crime organizado, como demonstra a relutância do plenário em cassar os mandatos de TH Joias e Rodrigo Bacellar, mesmo após todos os indícios de envolvimento com o Comando Vermelho apontados pela PF. Minc também atribui responsabilidade aos partidos, que, segundo ele, “não podem colocar em suas nominatas pessoas­ que mantêm relação direta com a milícia ou com o tráfico”. Já o sistema de Justiça, acrescenta, precisa agir com mais rapidez. “Veja o Cláudio Castro, que ganhou uma eleição de forma corrompida. Cometeu crime eleitoral visível, todo mundo sabia, e cumpriu quase todo o mandato. Só foi afastado agora no finzinho de tudo. Foi punido três anos e três meses depois de ter fraudado descaradamente uma eleição.”

Para o ex-vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha, hoje deputado estadual­ pelo PSD, a questão da criminalidade está intrinsecamente ligada à política de arrecadação e de desenvolvimento econômico e social. “Se faltarem recursos públicos, não teremos um funcionalismo público qualificado e justamente remunerado. Os quadros das polícias civis e militares estarão muito menores do que seus ideais, e a degradação social jogará a favor do crime com a oferta de uma mão de obra desqualificada”, diz. Por outro lado, se o Estado entrar em um ciclo econômico virtuoso, pondera o parlamentar, isso facilitará o combate ao crime. “A degradação econômica degenera as políticas públicas, inclusive aquelas de enfrentamento à criminalidade.”


Ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente da Finep, Celso Pansera, que já coordenou programas voltados ao desenvolvimento econômico e tecnológico do Rio, afirma que o enfrentamento ao narcotráfico exige estratégias de longo prazo, incluindo a requalificação das polícias. “Teríamos que ter curso para policiais todos os anos, além de boa qualificação e aumento substancial de salários”, diz. Ele também propõe a aposentadoria paulatina de todos os policiais na ativa envolvidos com o tráfico e as milícias.

Como se não bastasse, o Rio de Janeiro, com déficit projetado de 19 bilhões de reais para 2026 e dificuldade de honrar as dívidas com a União, mesmo após a adesão ao Propag, aguarda com apreensão a retomada do julgamento no STF, previsto para 6 de maio, que trata da redistribuição dos royalties do petróleo entre os estados. “Há uma liminar suspendendo a divisão desse dinheiro com outras unidades federativas. Se a liminar cair, o Rio estará em maus lençóis”, diz Corrêa da Rocha. Para Osório, é razoável discutir uma redistribuição dos royalties entre os municípios fluminenses, mas reduzir o volume total destinado ao estado seria catastrófico. “Será a pá de cal no Rio de Janeiro. Isso não interessa ao País nem a ninguém.” • 

CARTA CAPITAL  

 

May 5, 2026

New York Times' elege os 30 melhores compositores americanos vivos;

  Da esquerda para a direita, Lana Del Rey, Taylor Swift, Bob Dylan, Jay-Z e Mariah Carey: artistas estão em lista com os 30 melhores compositores americanos elaborada pelo 'NYT'

Gustavo Cunha
 

Levou um ano e meio para que o “New York Times” elaborasse uma lista dos 30 maiores compositores vivos dos Estados Unidos. O resultado, publicado pelo jornal americano na última semana, tem provocado reações desafinadas. Afinal, grandes figurões da música — como Madonna, Jackson Browne, Billy Joel, Lady Gaga, Patti Smith e Stevie Nicks, entre outros — ficaram de fora da seleção.

O levantamento gerou discórdia até mesmo entre os seis críticos do “New York Times” que deram a palavra final. “Houve grandes debates”, como revela a editora Sasha Weiss. Exemplo: o medalhão Randy Newman, músico com mais de 20 indicações ao Oscar, foi um “grande ponto de discussão”. Acabou excluído, sem dó. A lista foi formada com base em mais de 700 indicações de especialistas, incluindo historiadores e profissionais da indústria musical. A partir daí, os seis críticos foram enxugando o número — e, tcharan!, chegaram, enfim, aos 30 melhores.


Nile Rodgers

O guitarrista Nile Rodgers, com o grupo Chic, no Rock in Rio de 2019 — Foto: Pablo Jacob
O guitarrista Nile Rodgers, com o grupo Chic, no Rock in Rio de 2019 — Foto: Pablo Jacob

As composições do nova-iorquino de 73 anos — entre as quais “Good times” e “I want your love” — condensam o espírito do auge da era disco, segundo os críticos.

Lucinda Williams

A compositora americana Lucinda Williams — Foto: Reprodução/Instagram
A compositora americana Lucinda Williams — Foto: Reprodução/Instagram

“Seja o que for que alguém queira dizer sobre a ‘textura’ de uma música, isso ganha um caráter quase tátil com a americana de Louisiana”, destaca o jornal acerca da artista de 73 anos, que transita entre o country e o blues.

Stevie Wonder

Stevie Wonder no Rock in Rio de 2011 — Foto: Leo Aversa
Stevie Wonder no Rock in Rio de 2011 — Foto: Leo Aversa

Maior bardo vivo do coração humano, como definem os críticos, ele escreveu “algumas das músicas mais harmonicamente e cromaticamente complexas já criadas”. Exemplos, para citar só alguns: “Part-time lover”, “Girl blue” e “That girl”.

Jay-Z

O rapper Jay-Z — Foto: Chris Delmas/AFP
O rapper Jay-Z — Foto: Chris Delmas/AFP

Os críticos consideram que “Reasonable doubt” (1996) é um dos maiores álbuns de estreia de qualquer gênero, “prova de habilidades deslumbrantes do rapper como contador de histórias”.

Paul Simon

Cantor e compositor Paul Simon em apresentação no Central Park, em NY, em 2021 — Foto: Angela Weiss / AFP
Cantor e compositor Paul Simon em apresentação no Central Park, em NY, em 2021 — Foto: Angela Weiss / AFP

Voz para o “terremoto jovem” que abalou os anos 1960, este “artesão das palavras”, hoje com 84 anos, escreveu pérolas logo no álbum de estreia. Estão lá “The sound of silence”, “The times they are a-changin” e “I want to hold your hand”. Os críticos consideram que ele gravou duas das maiores canções sobre divórcio (“Hearts and bones” e “Graceland”).

Taylor Swift

Taylor Swift — Foto: Bloomberg
Taylor Swift — Foto: Bloomberg

A longevidade de um dos maiores símbolos da música pop atual — com 12 álbuns de estúdio e centenas de canções ao longo de duas décadas — dá ao público, segundo o jornal, “uma combinação inédita de autoria artística e sucesso comercial”.

Brian & Eddie Holland

Arquitetos de hits de grupos como The Supremes (com Diana Ross como vocalista) e Four Tops, os irmãos transformaram o cancioneiro americano ao tornar o amor algo físico e pulsante, traduzido em batidas e arranjos que convidam o corpo a sentir, como realçam os críticos.

Missy Elliott

A compositora Missy Elliott — Foto: Divulgação
A compositora Missy Elliott — Foto: Divulgação

A obra da rapper de 54 anos parte de um exercício elaborado de inverter e subverter, “esticando palavras como chiclete e fazendo sílabas ricochetearem”. São obras-primas, de acordo com críticos, canções como “Get ur freak on”, “Work it” e “On & on”.

Lionel Richie

Lionel Richie no The Town — Foto: Divulgação The Town
Lionel Richie no The Town — Foto: Divulgação The Town

A sequência de sucessos açucarados, com o dedo do artista de 76 anos, foi a trilha sonora das décadas de 1970 e 1980. Letras como “Easy”, “Endless love” e “Hello” são aulas de formas minimalistas da soul music sensual, como apontam os críticos.

Dolly Parton

Dolly Parton — Foto: Reprodução/Youtube
Dolly Parton — Foto: Reprodução/Youtube

Ícone cultural de várias gerações, a artista de 80 anos escreveu dois de seus maiores clássicos — “Jolene” e “I will always love you” — na mesma noite. O jornal destaca a “pureza sincera em sua obra e visão de mundo” entre hits country, incursões no pop e resgates do gênero bluegrass.

Young Thug

O rapper Young Thug — Foto: AFP
O rapper Young Thug — Foto: AFP

“Dissidente pós-estrutural” do rap e do hip-hop, como definem os críticos, o músico de 34 anos desmontou normas e tornou o gênero novamente selvagem a partir de um método calcado no... improviso radical.

Diane Warren

Compositora Diane Warren — Foto: Isabella Costa
Compositora Diane Warren — Foto: Isabella Costa

Está aí uma das compositoras mais prolíficas e populares dos EUA — e que escreve obras para gente diversa, de Taylor Dayne a Taylor Swift, de Patti LaBelle a Heart, de Chicago a Shanice. De “Rhythm of the night”, do DeBarge, a “There you’ll be”, do Faith Hill, é praticamente impossível não ter ouvido uma canção da artista nas rádios.

JoshOsborne, Brandy Clark e Shane McAnally

Numa era dominada por clichês, o trio de compositores traz temas mais variados — com maior nuance emocional e um olhar mais cosmopolita — ao country.

Fiona Apple

Fiona Apple — Foto: Divulgação
Fiona Apple — Foto: Divulgação

As canções da artista de 48 anos “nos devolvem à euforia da atração e ao enjoo da repulsa” e fazem o coração “parecer um lugar habitado”, como sublinham os críticos.

Babyface

O autor redefiniu a canção romântica no pop, com baladas de enorme impacto emocional. Hits como “End of the road” e “I’ll make love to you”, do Boyz II Men, bateram recordes e ajudaram a reposicionar o R&B no centro da música americana.

Stephin Merritt

Autor de “69 love songs”, o mestre dos desafios criativos combina sofisticação com humor e experimentalismo

Romeo Santos

À frente do grupo Aventura, o nova-iorquino modernizou a bachata — ritmo latino originário da República Dominicana — ao misturá-la com pop, R&B e hip-hop.

Carole King

A compositora de 84 anos transforma emoções complexas em canções universais. Hits como “Way over yonder” e “Tapestry” moldaram diferentes gerações — de Alicia Keys a Taylor Swift.

Outkast

A dupla revolucionou o hip-hop ao levar o sul dos EUA ao centro do gênero nos anos 1990. Com hits como “Player’s ball” e “Ms. Jackson”, os artistas misturam experimentação e apelo pop.

Mariah Carey

Mariah Carey no MTV Video Music Awards, em setembro de 2025 — Foto: Angela Weiss / AFP
Mariah Carey no MTV Video Music Awards, em setembro de 2025 — Foto: Angela Weiss / AFP

Ao surgir nos 1990, adiva pop foi visionária, segundo os críticos, ao fundir a intensidade do gospel com a força do R&B. Autora de 18 hits nº 1, redefiniu o gênero com músicas como “Fantasy” e “We belong together”.

Willie Nelson

Autor de clássicos como “Crazy”, “Night life” e “Funny how time slips away”, o veterano do country construiu uma obra vasta e fora de rótulos, na visão dos críticos.

Kendrick Lamar

Kendrick Lamar no Grammy 2026 — Foto: Reprodução/Instagram
Kendrick Lamar no Grammy 2026 — Foto: Reprodução/Instagram

As músicas do autor — tido como “dos rappers mais ideológicos em atividade” — são “verdadeiros monólogos de autoconfronto, mas também de confronto com o mundo”.

Valerie Simpson

“Rastrear a influência de Ashford & Simpson — dupla formada por Valerie Simpson e Nickolas Ashford — é como mapear o código genético da canção popular americana”, dizem os críticos. São clássicos “Ain’t no mountain high enough” (1967), “Solid”, “I’m every woman” e “California soul”.

Bob Dylan

Bob Dylan — Foto: Hector Mata / AFP
Bob Dylan — Foto: Hector Mata / AFP

Agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2016, Bob Dylan reinventou o que uma canção pode dizer e como pode soar, “expandindo os horizontes da música popular”. Transitou por múltiplas fases e estilos, da canção de protesto ao rock, sempre desafiando rótulos.

Lana Del Rey

Apresentação da cantora Lana Del Rey no palco Corcovado, na primeira noite do festival MITA 2023 — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo
Apresentação da cantora Lana Del Rey no palco Corcovado, na primeira noite do festival MITA 2023 — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo

O jornal destaca a “gramática sonora particular e inconfundível” da artista, que inventou um estilo indie-pop difícil de imitar. Entre sexo, morte e amor, as letras contróem uma estética de resignação sofisticada e autoral.

The-Dream

“Basta pensar num sucesso de R&B pós-anos 2000, e provavelmente há sua marca ali: ‘Umbrella’, de Rihanna; ‘Ride’, de Ciara; ‘Baby’, de Justin Bieber; e ‘Touch my body’ e ‘Obsessed’, de Mariah Carey” e ‘Single ladies (put a ring on it)’, de Beyoncé”, como lembram os críticos.

Jimmy Jam e Terry Lewis

Jimmy Jam e Terry Lewis são “mestres camaleônicos” que ajudaram a reinventar a carreira de Janet Jackson ao longo de diferentes fases. Misturam soul, funk e pop com inovação, moldando o som do R&B moderno.

Bad Bunny

Bad Bunny conquista o público com simpatia e emoção durante show no Allianz Park, em São Paulo — Foto: @irisalvesc/Live Nation Brasil
Bad Bunny conquista o público com simpatia e emoção durante show no Allianz Park, em São Paulo — Foto: @irisalvesc/Live Nation Brasil

O vencedor do Grammy de álbum do ano com “Debí tirar mais fotos” remodelou a música latina “com seu flow melancólico e letras ágeis”.

Bruce Springsteen

Bruce Springsteen canta do lado de fora do Capitólio do Estado de Minnesota durante o dia nacional de protesto "No Kings" em Saint Paul, Minnesota, em 28 de março de 2026 — Foto: Kerem Yucel / AFP
Bruce Springsteen canta do lado de fora do Capitólio do Estado de Minnesota durante o dia nacional de protesto "No Kings" em Saint Paul, Minnesota, em 28 de março de 2026 — Foto: Kerem Yucel / AFP

Para a crítica Lindsay Zoladz, o autor de “Born in the U.S.A.” aprendeu a usar os silêncios ao evoluir das “epopeias da juventude descarada e arrogante” a um papel “autoproclamado de consciência da América”.

Smokey Robinson

O jornal classifica o cantor que foi vice-presidente da Motown como um inspirador de “compositores mais bem-sucedidos e emocionalmente complexos que surgiram depois dele”, como Babyface e Anderson. Paak. “Stevie Wonder pode ser o maior inovador. Lionel Richie pode ter dominado o pop global. Nenhum deles se compara à precisão lírica consistente de Robinson”, dizem os críticos.

 
 O GLOBO