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Por Rafael Oliveira
A fragilidade do Haiti, que não tem tradição em Copas (retornou após 52 anos de ausência), já era sabida. No entanto, não faz sentido menosprezar, pelo nível do adversário, os 3 a 0 que fizeram o Brasil chegar aos 4 pontos e assumir a liderança do Grupo C. O importante era que o time do técnico Carlo Ancelotti aproveitasse a oportunidade coletiva e individualmente. E isso aconteceu. Mas veio acompanhado de um susto, já que Raphinha reclamou de dor muscular e foi substituído ainda no primeiro tempo
O atacante sentiu a coxa direita. Há suspeita de lesão. Caso ela se confirme, a CBF já não pode mais promover substituições no elenco. Por isso, o alerta está ligado na comissão técnica.
— Todos nós ficamos preocupados — disse Paquetá.
O Brasil não jogou um futebol à altura do que o público esperava diante de um rival tão fraco tecnicamente, mas encontrou uma forma de atuar e viu Vini Jr. ganhar companhias no protagonismo do time.
A principal delas foi Matheus Cunha. Com dois gols, tirou o peso das cobranças para ser mais goleador e, ao menos nos próximos dias, suspendeu o debate sobre quem deve ser o centroavante da seleção. E fez tudo isso sem abrir mão de suas características, pois atuou como um falso 9 com a mobilidade de sempre. O outro foi Paquetá. O meia tirou a má impressão da estreia e teve participação determinante.
Mas ninguém brilhou tanto quanto Vini. Eleito o melhor do jogo mais uma vez, o camisa 7 mostrou que a boa atuação contra o Marrocos não foi pontual e que pretende fazer uma boa Copa do Mundo. Participou dos três gols, tendo dado uma assistência e marcado o seu.
— Eu vou chegando no nível que quero chegar na seleção. Temos muito o que evoluir. Eu também, claro. Quero fazer muito mais pela seleção — afirmou Vini.
Assim como foi contra o Marrocos, o Brasil mais uma vez começou sem se entender. Muitos erros de passe, falta de intensidade e perdas de bola bobas entregavam um time desatento. O que serve para ligar o alerta, já que se mostra um problema persistente.
Desta vez, contudo, do outro lado havia um adversário muito menos ameaçador. Ainda que bem organizado, o Haiti tinha muita dificuldade de chegar à área brasileira para finalizar. E, à medida que o time de Ancelotti encontrou o seu jogo, passaram a dar muitos espaços para os avanços brasileiros.
A boa notícia aqui é justamente que a seleção não precisou passar por todo um primeiro tempo de horror para depois de fato entrar em campo. É verdade que a fragilidade do Haiti ajudou, mas o importante é que as movimentações e dinâmicas mostraram um caminho, ainda que esta engrenagem precise ser azeitada.
Danilo voltou a ocupar bem a lateral direita. Não se limitou a formar uma saída em três com os zagueiros e subiu diversas vezes, sendo um importante armador para a equipe. Aparentemente, ganhou a posição e justificou a convocação antecipada por Ancelotti.
Douglas Santos foi outro que não decepcionou. Com o Brasil pouco ameaçado, ele inclusive se arriscou mais na frente e quase foi premiado com um belo gol. Depois de muito tempo, as laterais não foram um problema para a seleção nesta sexta-feira.
Outro que aproveitou a fragilidade do adversário para mostrar que pode ser peça do sistema de Ancelotti foi Paquetá. Mais uma vez jogando pelo lado esquerdo, o meia pressionou o adversário, desarmou e lançou ótimas bolas para os companheiros. Ao lado de Bruno Guimarães, outro que estava numa noite afiada, formou uma dupla de armadores promissora.
Não à toa, os dois tiveram participação importante nos gols, mesmo não tendo sido os protagonistas das jogadas. Bruno iniciou a do primeiro, de Matheus Cunha, aos 22 minutos. Já Paquetá começou as dos dois seguintes: o segundo do camisa 9, aos 35; e o de Vini, já nos acréscimos da etapa inicial.
A exceção ali no meio de campo foi Casemiro. Mesmo diante de um adversário limitado, o volante teve momentos de dificuldade, resumidos no drible desconcertante sofrido ainda no primeiro tempo.
Na etapa final, o placar até poderia ter ficado mais largo, mas a verdade é que a seleção não produziu para isso. As muitas trocas fizeram a eficiência cair. A exceção foi Martinelli, que jogou bem.
As entradas de Rayan, ainda no primeiro tempo no lugar de Raphinha, e de Endrick encheram o torcedor de expectativa. Os primeiros segundos do ex-Vasco na Copa foram acompanhados do funk que leva seu nome sendo cantado pelo público. Já o momento em que o camisa 19 pisou no campo e foi anunciado pelo locutor representou uma catarse no estádio da Filadélfia. Quase como um gol.
A verdade é que a participação dos dois xodós da torcida foi de coadjuvante. Não que isso seja um grande demérito, já que eles entraram num time já muito modificado. E, ainda assim, quase protagonizaram o lance do que seria o quarto gol, com assistência de Rayan e conclusão de Endrick. Só que o camisa 19 estava impedido.
— Estava meio ansioso, mas depois que entro em campo, que toco pela primeira vez na bola, esse peso sai — disse Rayan.
O GLOBO

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