local onde publico os textos & artigos maiores citados no BLOG0NEWS
de modo que os posts de lá não fiquem enormes.
July 8, 2017
‘Amelia foi muito negligente ao planejar seu voo’
Fundador
do Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas busca
vestígios da lendária Amelia Earhart e de seu avião
por Renzo Giner Vásquez, do El Comercio/GDA*
Era o dia 1º de junho de 1937 e a americana Amelia Earhart partiu de Los
Angeles para começar uma viagem idealizada para ser histórica: ela
tinha passado dois anos desenvolvendo um plano de voo para dar a volta
ao mundo acompanhando a Linha do Equador. Em 2 de julho daquele ano,
depois de viajar 35.045 quilômetros e com mais 11 mil quilômetros à
frente, Amelia partiu de Papua Nova Guiné, na Oceania e, sete horas
depois, perdeu o sinal de rádio. Nem os restos da americana nem de seu
avião foram encontrados, tornando-se um dos maiores mistérios da
aviação.
O historiador Ric Gillespie dedicou os últimos 29 anos a esta
pesquisa. Para ele, a explicação mais lógica é que o avião ficou sem
combustível e, por isso, caiu no mar. No entanto, ao investigar a última
transmissão de Amelia Earhart, “pensamos que deveríamos olhar não só o
oceano, mas também as ilhas próximas... e encontramos uma grande
surpresa”. Qual foi a surpresa?
Que esta teoria foi a
primeira pensada pela Marinha americana, que enviou um navio de guerra
que estava no Havaí, a duas mil milhas de distância, para percorrer o
trajeto que Amelia Earhart havia anunciado. Enquanto procuravam, os
operadores de rádio ao longo do Pacífico, inclusive uma pessoa no Peru,
escutaram sinais de emergência do rádio do avião. Os sinais vieram das
ilhas hoje conhecidas como Nikumaroro. Isso significa que a aeronave não
estava no oceano, porque, se estivesse molhada, teria parado de
funcionar. O avião teve que pousar com segurança para recarregar as
baterias (do rádio). Após a sexta noite de busca, o sinal parou, o que
significa que pode ter ficado submerso em um recife nas proximidades.
Nada foi encontrado, então o relatório final indicou apenas que o avião
caiu no mar. Mas três meses depois de seu desaparecimento, os britânicos
enviaram uma expedição para a ilha.
E encontraram algo?
Tiraram fotos e, em uma
delas, registraram na costa oeste da ilha algo que aparecia parcialmente
no mar. Segundo a análise de um de nossos especialistas, este é um
objeto feito pelo homem com as mesmas formas e dimensões que um trem de
pouso do avião de Earhart. Peritos do governo concordaram com nossa
conclusão, embora não tenhamos o objeto.
Gillespie: historiador conduz investigação há 29 anos
- Ha muitas teorias conspiratórias sobre a desaparição de Amelia Earthart. O que o senhor acha disso?
Elas
parecem relacionadas a um filme feito em 1943 chamado “Flight for
Freedom” (“Vôo para a Liberdade”). É uma história fictícia sobre um
piloto, que desaparece para que a Marinha tenha um motivo para buscá-lo e
ocupar o território japonês. Era popular entre as tropas americanas que
estavam no Pacífico. Por isso, quando os soldados chegaram à ilha de
Saipan, em 1944, perguntaram aos moradores se viram um homem e uma
mulher sob custódia. E, de fato, havia um casal de missionários que
foram feitos reféns pelos japoneses. Desse episódio surgiram muitas
histórias. O problema é que as teorias se contradizem.
O senhor realizou 11 expedições às ilhas Nikumaroro. O que viu nestas viagens?
Fomos
em Fiji e nas Ilhas Salomão em busca de pessoas que viveram em
Nikumaroro, e também na Inglaterra, onde procuramos registros
históricos. Foi como montar um quebra-cabeças. Hoje, após 11 expedições,
podemos dizer que as peças se encaixam. Temos uma imagem muito boa do
que aconteceu, mas ainda faltam pequenos pedaços, algo que acabe com
todas as dúvidas, como um osso ou o DNA de Amelia Earhart. Este será o
objetivo da 12ª expedição.
Em 1991, foi encontrado um pedaço de metal que teria
pertencido ao avião de Amelia Earhart. Esta é a peça mais importante até
agora?
Ela tem um potencial muito grande, estamos 99%
seguros de que pertencia à aeronave, mas falta 1%. Outro dia recebi um
e-mail de alguém que trabalha em um museu de Connecticut (EUA) e que
disse que tinha um avião DC-3 onde seria possível encaixar este metal
(Earhart voou em um avião diferente, o Lockheed Electra 10). Portanto,
este mês verificarei o pedaço de metal. É preciso ter uma mente aberta,
você deve conferir tudo. Prefiro tirar minhas dúvidas do que viver com
elas.
O senhor já pensou quando este mistério será resolvido?
Claro!
Pensamos em coisas incríveis. Temos um ditado aqui: “Você nunca deve
procurar aventuras, estas só acontecem quando as coisas vão mal”. Quero
dizer que é ótimo lembrar de uma aventura mas, quando você esta passando
por ela, só pensa em como vai sobreviver. Sei que será difícil quando
nós acabarmos. E haverá muita resistência a acreditarem em nós.
Por quê?
Até as provas mais convincentes só
permitem imaginar o que aconteceu e muitas pessoas têm outras teorias.
Pessoalmente, minha missão é escrever um segundo livro, que tenha um
capítulo completo sobre a vida de Amelia Earhart, com coisas que ainda
não foram ditas.
Que tipo de coisas?
A verdade é que Amelia foi
muito negligente ao planejar e executar seu voo. Cometeu muitos erros,
foi descuidada e isso resultou em sua morte. Mas sua história tornou-se
tão famosa que é quase mitológica. Quero indagar mais, descobrir por que
tomou decisões tão ruins, por que não planejou melhor.
No comments:
Post a Comment