October 9, 2015

O inimigo mora ao lado


Mônica Bergamo
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O inimigo mora ao lado!

O desentendimento entre um casal de professores universitários e um agrônomo em Perdizes que sempre se deram bem vai parar na delegacia. Motivo: os dois votam no PT. E ele tem aversão ao PT
Walquíria Leão Rego tem 70 anos e mora há três décadas no mesmo edifício, numa rua pacata do bairro de Perdizes. A socióloga, que dá aulas de teoria da cidadania na Unicamp, vive no 4º andar e sempre se deu bem com seus vizinhos de baixo: o engenheiro agrônomo José Luiz Garcia, 67, a mulher dele, Marília, e a filha do casal, Ana Luisa. A jovem já deu aulas de inglês para Walquíria. A professora recebeu Marília para comer bolo e tomar chá.

Walquíria já foi filiada ao PT. Hoje é "o que se pode chamar de eleitora fiel". O vizinho nunca gostou da legenda. Mas a diferença não era um problema. "Jamais nos desrespeitaram", diz ela.
O clima de boa vizinhança começou a mudar há cerca de um ano, na época das eleições. Walquíria e o marido, Rubem Leão do Rego, colocaram um adesivo de Dilma no carro, um New Fiesta vermelho. Garcia, que guarda o automóvel na garagem justamente ao lado, colocou o seu: "Fora, Dilma. E leva o PT junto". "Esse adesivo já é um sinal de selvageria. Achei sintomático", diz ela.

Dilma foi reeleita e o ambiente no prédio de Perdizes azedou de vez. O engenheiro, inconformado com o resultado das eleições, que acredita terem sido fraudadas, começou a escrever dizeres contra o PT em cartazes do elevador. Um deles, da Sabesp, alertava sobre a falta de água: "A seca resiste". Garcia escreveu: "O PT também". No dia seguinte, o troco de um morador: "Desinformado".

"Então escrevi: 'Lava Jato', diz o engenheiro. "Aí eles ficaram loucos", segue, referindo-se ao casal petista. Repreendido pela síndica, Garcia desistiu do elevador. "Criei um jornalzinho. Todos os dias eu escrevia notícias numa folha de papel: 'José Dirceu, herói do PT, preso pela segunda vez', 'Lula, lobista dos empreiteiros'. Eles [os vizinhos] tinham que ler. Foram ficando tiriricas. Mas não podiam dizer nada porque o papel estava colado dentro do meu carro."

A tensão foi aumentando. Em 8 de março, dia do primeiro panelaço contra Dilma, o engenheiro "não se contentou em bater panelas", diz Walquíria. "Ele passou minutos gritando, num grau de agressividade, de ódio: 'Petistas filhos da puta, ladrões, corruptos'", conta Walquíria. "O que eu fiz foi gritar como todo mundo", diz Garcia.

Em 16 de agosto, o engenheiro estava com febre e não foi à passeata contra o governo na avenida Paulista. Viu tudo pela TV e só saiu de casa para comprar remédio. Voltou da farmácia "com aquela adrenalina", diz. "E entrei no prédio gritando: 'Fora PT! Fora PT!'." O elevador abriu e dele saiu Rubem, que disse: "O senhor me respeite". Garcia diz que respondeu: "Respeito é para quem merece. O PT não merece".

Walquíria diz que ele, na verdade, gritava: "Eu não respeito petista ladrão, corrupto, filho da puta". "Meu marido ficou lívido", afirma.

Há duas semanas, a filha dela, Daniela, foi visitar os pais e se encontrou com Garcia na garagem do prédio. "Ela tem muito medo dele. E ficou olhando na tentativa de prever algum gesto. Ele vira e diz: 'O que está olhando, sua filha da puta?'. E mostra o dedo [médio] para ela. A Daniela pega o celular, anda na direção dele e diz: 'Faz de novo que eu quero te fotografar!'. Ele dá ré com o carro, ela tem que recuar."

A briga foi parar na delegacia. Daniela prestou queixa dizendo que teve que "se deslocar para uma pilastra para evitar que José Luiz a atropelasse". No fim do depoimento, um investigador, Arnaldo, se aproximou. Armado, disse: "Vocês vão me desculpar. Mas o PT é mesmo o partido mais corrupto da República". Walquíria reagiu: "O senhor é um agente do Estado". E ele: "E qual é o problema de eu achar que a Dilma é uma filha da puta?".

Garcia também foi ao 23º DP, no mesmo dia que Daniela, para dar a sua versão dos fatos. E diz que o casal agora vai ter que provar as acusações que fez. "Disseram até que eu quis matar a filha deles. Pegam um 'negocinho' e transformam num 'negocião'. É o modus operandi do PT." Ele mostra à coluna um vídeo com imagens da garagem e afirma que não colocou a vida de Daniela em risco.
Relatado em blogs, o desentendimento despertou solidariedade de professores e até do Ministério do Desenvolvimento Social ao casal –Walquíria é autora de um livro sobre o impacto do Bolsa Família na vida das mulheres que recebem o benefício.

"Ele não sabe nada de nossas vidas. Nunca se preocupou em saber por que votamos no PT, por que 54 milhões de pessoas votam no partido", diz Walquíria, que afirma se identificar com o projeto social da legenda, de redução das desigualdades. "Na cabeça dele, as pessoas são ignorantes ou ladras e por isso votam no PT."

"Quando um vizinho defende um governo cleptocrata e fobiocrata, ou ele faz parte da cleptocracia ou ele é um idiota total", diz Garcia. "Não tem acordo. Eu vou passar por ele todos os dias e dizer: 'Bom dia, seu petista'?. Acabou o diálogo. Não temos outra opção, não temos como reagir. A maioria silenciosa não aguenta mais. Só que agora não é mais silenciosa."

Ele acredita que a Operação Lava Jato deveria convencer qualquer eleitor a não votar mais no PT. "Eu digo, poxa, será que isso não é suficiente? São evidências, gente. Não são invencionices do [juiz Sergio] Moro. Se o cara não se convenceu até agora, fica difícil. Aí eu já questiono o discernimento dele."

O engenheiro diz que leu na internet a repercussão da briga que protagoniza. "Dizem que é preciso dar um basta [no ódio político]. Eu concordo. Agora, para que seja dado um basta, eles precisam parar de roubar, né?"

Ele se formou em agronomia pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do RJ) e depois estudou nos EUA. Hoje, dá consultorias e cuida de terras que tem em Minas Gerais. Defende a agricultura orgânica. Diz que foi de esquerda na juventude.

"Se depois da queda do Muro de Berlim o cara não se dá conta de que o esquerdismo é uma coisa furada, é burrice. Usar camiseta do Che Guevara, você vai me desculpar! Com todos os livros mostrando que ele era um assassino sanguinário?"

Acredita, no entanto, que a esquerda está mais forte do que nunca. "Falam de recrudescimento da direita. Mas o que está havendo é um recrudescimento do socialismo, com a China rivalizando, a Rússia. E na América Latina tem esse pessoalzinho da Bolívia, da Venezuela."
Para ele, o Brasil não teve uma ditadura entre 1964 e 1985, e sim um "governo militar". "Nós aqui tivemos uma ditadura tropical. Tinha até Congresso e partido político. A ditadura brasileira avacalhou." Não defende, no entanto, a volta dos militares. "Mesmo porque eles acabaram. Agora são um bando comandado por um devasso, o Jaques Wagner [ministro da Defesa, de saída do cargo]. Na internet tem até fotografia dele em baile de Carnaval com duas mulheres se beijando. Isso pra mim é devassidão."

Ele viu a imagem de Wagner na internet. "Ela [a web] possibilitou que as pessoas se informassem. Hoje você tem 'zilhões' de informações para processar. Você vê as coisas acontecendo na televisão, na internet. É evidente que isso aí gera reação."

"Essa raiva... Raiva, não, indignação.... Como é que você separa indignação de raiva? Aí vamos entrar numa questão de semântica", diz ele para explicar o que sente.

A "raiva" surgiu com o mensalão. "Ali foi o começo." Antes disso, já era um crítico do programa Bolsa Família. "Você já viajou pelo Brasil? Você não arruma ninguém mais para trabalhar. Ninguém quer pegar no pesado. Essa não é a receita para um país que quer se desenvolver –criar essa legião de pessoas que têm aversão ao trabalho. O Brasil está ingovernável, numa situação pré-falimentar", diz ele, encerrando a entrevista e pedindo para não ser fotografado.

Entusiasta do Bolsa Família, a professora Walquíria credita à imprensa o fenômeno do que chama de "ódio político". "Este foi o clima que a mídia criou no país."

Ela diz que, por isso, agora vive com medo do vizinho. "Eu não sei o que uma pessoa com esse grau de ódio político é capaz de fazer", afirma.

Há dez dias, a professora voltou ao 23º DP com o advogado Marco Aurélio de Carvalho e o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) para pedir investigação criminal. O policial que xingou Dilma Rousseff foi chamado por seus chefes e obrigado a se desculpar.

Já o engenheiro Garcia permanece convicto de que suas atitudes foram corretas. "Se eles querem que eu peça desculpas, eles não vão conseguir. Eu não sou culpado. Eu jamais vou pedir desculpas, entendeu? Jamais.

FOLHA DE SÃO PAULO, 4 DE OUTUBRO DE 2015

A ameaça das armas

Nossa lei de controle de armas, admirada e copiada no exterior, tem origem popular, como a da Ficha Limpa

por

September 14, 2015

Vão acabar com a feira da Praça XV?


De Claudio Pereira de Mello:

A cidade do Rio de Janeiro acordou nesse 12 de setembro com um sobressalto . Por ordem da Municipalidade, a tradicional Feira da Praça XV nao foi realizada neste sábado. O fato causou imenso descontentamento a milhares de pessoas que sao frequentadores assíduos do maior e mais famoso Mercado de Pulgas no Brasil ... a sua interrupção deixou as pessoas perplexas.
A Feira vende de tudo, de antiguidades, a roupas usadas, quinquilharias, panelas usadas, instrumentos cirúrgicos, livros e toda sorte de produtos novos e usados . Ha quem diga que celulares podem ter sido resultado de furtos, mas para conter isso sabemos que basta uma atuação precisa e cirúrgica da Policia que existe para isso mesmo.
Para os colecionadores, a Praça XV é como um SANTUÁRIO DO COLECIONISMO aonde podem ser encontrados desde selos, moedas, pratos antigos, móveis centenários, pinturas para restauraçao e todas as coisas que foram descartadas pela Sociedade e que acabam sendo adquiridas e protegidas pelos Preservacionistas .
Imagine uma peça grega de 2.300 anos ?
Um tecido Renascentista Italiano?
Um braseiro islâmico de 300 anos ?
Uma taça veneziana de vidro esmaltado de 400 anos ?
Um canapé de jacaranda com estofo de palinha original de 100 anos ?
Um botao de madreperola dos anos 1900 ?
TUDO ISSO VOCE PODE ENCONTRAR NA FEIRA DA PRAÇA XV .
Mas na feira voce tambem pode encontrar porta-retratos de plastico produzidos na China e vendido a 1.99 reais e moedas, selos, discos de vinil ou uma camisa de malha usada (mas nova) por 2 reais
Em suma, a Feira da Praça XV é um PATRIMÔNIO IMATERIAL da Cidade do Rio de Janeiro e um bastião de Memória aonde objetos que fizeram parte das suas diversas sociedades sao comercializados a preços módicos.
Essa fama cruzou fronteiras e hoje a feira é procurada por uma boa parte dos estrangeiros que tem interesse por peças antigas e que algumas vezes veem ao Rio para garimparem peças que podem ser levadas para o exterior e vendidas a preços inacreditáveis . Um amigo nosso Italiano (conhecido de muitos na Feira ) e que mora em Arezzo ( Toscana) vem anualmente ao Rio só para buscar peças como canetas e relógios antigos e depois repassa para amigos que os vendem nas famosas Feiras de Antiguidades de Parma e de Ferrara na Italia . Feiras que atraem gente de todo o mundo.
A história mais inacreditável da Feira, conhecida por todos foi o caso de uma mascara Africana que nos anos 2000 apareceu na Feira e foi comprada por um Americano por 15 reais . Ao voltar a Nova York, ele levou a Sotheby's que acabou vendendo por 250 mil dólares. O fato chegou a ser publicado em jornais e revistas na época.
No nosso caso, também nos anos 2000 adquirimos dois vasos gregos que pertenceram a Coleção de um famoso Consul Grego chamado Othon Leonardos (1834-1915) que foi Consul no Brasil por 45 anos. Os vasos, tidos como souvenires, ao serem examinados na Belgica provaram ser do atelier Pintor de Bedram e datam de cerca de 300 AC. Custaram 25 reais os dois !
Pois bem !
Nos cabe aqui evocar a tradição da feira da Praça XV que funciona desde os anos 1970 no formato atual, mas antes se chamava Feira Do Troca .
Antes disso, vemos que a Praça XV era e SEMPRE FOI um local de comercio e com a chegada dos navios no seu pier antigo, ambulantes e lojas disputavam a atençao dos transeuntes, como fica claro nas aquarelas dos pintores viajantes do seculo XIX e em especial Debret e Rugendas .
Portanto, temos que considerar os aspecto tradicional da Feira e procurarmos institucionaliza-la e a primeiro passo seria exatamente o REGISTRO ( como se fosse um Tombamento ) como PATRIMÔNIO IMATERIAL .
Para melhor organiza-la a administração municipal poderá pensar na construção de algum lugar nas proximidades de um Mercado Municipal, tal como existe em praticamente em todas as cidades do MUNDO e isso já seria de grande importância para o fortalecimento da Feira como um lugar do culto pelo ANTIGO, pela manutenção da MEMÓRIA, da transmissão de "historias" e de itens da cultura material do passado dos que nao conseguem mais ter identificação com sua ancestralidade, mas em compensação passam para as mãos de outros que sabem valorizar e preservar a Memoria de suas familias, mas tambem das familias dos outros . Estes chamamos de Preservacionistas que acabam - em todas as partes do mundo - fazendo uma especie de zona de amortecimento ou interface entre o passado e o futuro, uma vez que o Estado nao tem condiçao de preservar tudo que teve importância para as gerações passadas .
FICO A ME PERGUNTAR O QUE VAO FAZER COM O ANTIGO MERGULHAO DA PRAÇA XV ?
O MERGULHAO seria um lugar fantastico para ser ocupado com o nossso mais famoso FLEA MARKET ( Mercado das Pulgas ) que poderia funcionar todos os dias e nao somente aos sábados. Poderia ter stands organizados como quiosques e ter banheiros e area de alimentaçao ... Mais ou menos como vemos em Portobello Road Market, em Londres, O VERNAISON, de Paris, ou o Mercatto delle Pulci em Florença que funcionam a semana toda. Ja as feiras de Bruxelas ( Place du Sablon ) , de Roma ( Porta Portese ), de Florença ( sabados e domingos perto da Fortezza Medice), de Arezzo ( terceiro sabado do mes), Brugge ( sabados) e tantas outras sao feitas em um dia na semana.
E Viva para Sempre a Feira da Praça XV !!! Com mais respeito por sua tradição, mais dignidade para os Preservacionistas, mais organização e com o apoio do Poder Público para manter a memoria da cidade sempre viva e que esses itens da cultura material que nao sao o suficiente bons para estarem nas vitrines dos Museus, estejam nas maos de pessoas que saibam reconhecer seu valor , a representatividade de sua historia e o lugar de cada um na Sociedade .
Contamos com seu retorno no sábado que vem pois a Mui Leal e Heróica Cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro nao será a mesma sem a sua Feira da Praça XV !
Para piorar e acabar com a tranquilidade emocional das pessoas que foram ate a Praça XV e nao encontraram a Feira... tinha na Praça uma estrutura que divulgada um evento chamado MEMÓRIA DO FUNK para ser realizado amanha dia 13 .

September 13, 2015

Devo, não nego


O rombo de R$ 30 bilhões de reais no orçamento poderá ser coberto pela caça à sonegação.


ANDRÉ BARROCAL


clique nos parágrafos para ler o texto num tamanho maior: 





DE CARTA CAPITAL

September 11, 2015


De Bob Fernandes

Amigas, amigos:
Lembram daqueles Revoltados de restaurante 5 estrelas que chamaram o Mantega de "ladrão", "palhaço" e "sem vergonha" há 4 meses? Eram os empresários João Locoselli e Marcelo Melsohn.
Chamados à Justiça para confirmar ou não o que disseram, pediram perdão, como relata Mônica Bergamo.
Um dos Revoltados, Marcelo, disse que agiu "irrefletidamente" e que o ex-ministro é "probo, honesto e digno".
O outro, João, ao assinar o pedido de desculpas, afirmou não saber de nada que possa " desaboná-lo (a Mantega) em sua vida pública".
Fim desse caso.
Lições elementares e que, ampliadas, valem para outros personagens que estão além desse episódio.
Lições que valem para presepeiros em geral, trolls, fakes, valentões orais e fascistas de qualquer latitude ou longitude.
É direito de todos o de considerar Mantega, personagem desse caso, o pior ministro da História etc...
Todos temos o direito da mais dura crítica a quem quer que seja. Mas caluniar, injuriar, ofender, agredir, é crime e como tal deve ser tratado.
Ignorância, truculência e ódio podem até ser armas na Política, e têm sido, mas nem por isso deixam de ser ignorância, truculência e ódio.
Transformar ressentimentos, recalques e frustrações pessoais - ou mesmo só natural boçalidade- em combustível político é fato cada vez mais presente no debate público, nesse infindável e obtuso Tom & Jerry, Frajola e Pi Piu.
É combustível político, mas nem por isso deixa ser, e produzir, os efeitos que produzem a ignorância, o recalque, os ressentimentos, as frustrações e a boçalidade oca.
É preciso saber distinguir o que é o dever de participar, lutar, cobrar, criticar, ser cidadão, do que é apenas o impulso egoico de ser "protagonista".
O dever exige atitudes objetivas.Pede ações práticas para além das palavras, cabe em manifestações nas ruas e em grupos, mas também, ou ainda mais, no dia a dia, no cotidiano.
Quando amparado na beligerância, no ódio, como instrumento para dar vazão a motivações profundas e obscuras, esse impulso do "protagonismo" pede terapias. Ou tarjas.

June 6, 2015

Fifa, CBF e Congresso: tudo a ver

Vivemos uma ofensiva conservadora; sucessão de escândalos e trapaças está longe de ser obra do acaso
 
Acreditar que a Polícia Federal americana esteja interessada em varrer a roubalheira mundial é tão verdadeiro quanto imaginar a Fifa vítima de uma conspiração da Casa Branca. Assistimos, isto sim, a mais um trecho de uma crise que se arrasta desde 2008. Como reconhece o próprio FMI, os efeitos do crash estão longe, muito longe, de terem sido eliminados.

O crescimento medíocre da economia mundial, aberrações como o Estado Islâmico, o cerco militar a imigrantes na Europa, o aperto do garrote sobre a Grécia --tudo caminha sempre na mesma direção. O capitalismo "vencedor" é obrigado a raspar o fundo do tacho para tentar sair da enrascada criada por ele mesmo.

Pensar que um país onde um presidente ganhou eleições numa fraude descarada (Bush x Gore), que patrocinou uma quebradeira mundial e espalha o terror "oficial" planeta afora seja um modelo de Justiça é abusar da credulidade popular. Obama aperta a mão de Raúl Castro. Comemoração geral. Distensão no mundo. Quem propaga esta versão só está jogando para a plateia e sonhando com a volta dos velhos tempos de Fulgêncio Batista.

Preto no branco, Cuba é um mercado que não pode ser desprezado neste período de vacas magras. O castrismo, versão tropical do stalinismo, agradece. A partir de agora, terá como seu aliado a turma de Washington na destruição das poucas conquistas sociais obtidas na ilha caribenha. Entre endurecer e a ternura, Havana decidiu amolecer sem resistir --menos com a oposição interna, bem entendido.

Já a máfia do futebol é tão velha quanto a roda. Que a Fifa, CBF, Uefa, Concacaf e demais siglas sempre ficam com o pão enquanto oferecem o circo é sabido de todos. Vamos falar sério: um presidente da CBF, José Maria Marin, rouba medalhas ao vivo e é homenageado pela elite brasileira. Assina contratos milionários com larápios destacados da mídia doméstica e fica tudo por isso mesmo. Alguma hora um novo escândalo tinha que estourar. Quando um bandido quer ganhar mais do que outro, é impossível abafar o barulho.

Vivemos uma ofensiva conservadora. Internacional, e em todos os campos, de futebol e fora deles. Veja-se o que ocorre no Congresso brasileiro. Sem a menor cerimônia, Eduardo Blatter Cunha tabela com Gilmar Del Nero Mendes e trapaceia o regimento, a Constituição, para garantir o controle do grande capital sobre os destinos do país.

A dita situação, ou oposição, ajuda. Deixou para discursos reservados a plataforma de uma Constituinte sobre a reforma política. Que diabo é esse de financiamento público de campanhas? Partido que é partido sério é sustentado pelos que acreditam nas suas ideias, no seu programa. Ou então se contenta em parasitar a "democracia estatal" ou viver da grana do tubaronato.

Até onde é possível enxergar, o que está ruim promete piorar. Quando parlamentares de um partido que se reivindica dos trabalhadores votam a favor do corte de direitos sociais dá para avaliar o tamanho do impasse.

Cabe avisar que os detentores de privilégios não costumam entregar os pontos sem combate. Nem sempre precisam de tanques. Por vias às vezes tortuosas, boa parte do PIB nacional está colocada contra a parede. Empreiteiras, bancos, ministros, chefes do Parlamento, magnatas da mídia, arrivistas dos mais variados ""todos aparecem misturados no liquidificador de falcatruas.

"Um governo moderno é tão somente um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa". A frase é de 1848, do Manifesto do Partido Comunista. Nunca foi tão atual. Esperemos o desfecho.

Ricardo Melo  
Folha de São Paulo, 1 de junho de 2015 

May 28, 2015

They found these papers scattered on Cersei's desk

 FROM THE DESK OF CERSEI LANNISTER, QUEEN REGENT QUEEN MOTHER QUEEN OF THE SEVEN KINGDOMS:



read it here

Depósito de Textos do Blog0news: They found these papers scattered on Cersei's desk:



They found these papers scattered on Cersei's desk


FROM THE DESK OF CERSEI LANNISTER, QUEEN REGENT QUEEN MOTHER QUEEN OF THE SEVEN KINGDOMS:
Agenda
  • Wake-up wine
  • Meeting w/Littlefinger
  • Power wine
  • Meeting w/Lady Olenna (pretend to be busy)
  • Lunch (w/wine) and latest severed dwarf-head inspection
  • Loras’s inquest (☺)
  • Winding-down wine
  • Pre-sleep scheming/self-satisfied smirking
  • Nightcap
Things to Think About
  • Torturing Tyrells
  • Ways to make small council smaller
  • Decrees to tell Tommen to sign
  • Worst Warden of the North: Ned Stark or Roose Bolton?
  • Best-tressed monarch: Me or Margaery?
Things Not to Think About
  • Maggy the Frog’s prophecy
  • Feeding the poor
  • Paying back the Iron Bank of Braavos
  • Littlefinger’s loyalty
  • How the High Sparrow feels about adultery/incest/kingslaying/slaughtering Baratheon bastards
Action Items
Eligible Male Lannisters
  • Jaime — On a sensitive diplomatic mission; kind of over him.
  • Tyrion — Trying to kill him.
  • Lancel — Gave up incest for Lent.
  • Tyrek/Gerion — Missing, probably dead.
  • Stafford/Martyn/Willem — Definitely dead.
  • Tommen — Ew, even for me.
  • Daven – Giant beard, but probably my only option at this point. Invite him to visit.
Other Ways to Get Wine if Jaime’s Diplomatic Mission Makes Martells Mad and Dorne Cuts Off King’s Landing

  • Get grapes instead. Make servant stomp on them. Then … wait a while? Not totally sure how wine works. Ask Qyburn.
  • Convince High Sparrow to say storing wine is a sin; send Faith Militant to confiscate casks.
  •  Marry into House Redwyne. Pros: Unlimited Arbor Gold; like the sound of “Cersei Redwyne.” Cons: Would be related to Lady Olenna.
  • Declare war on Dorne. He who controls the wine, controls the universe.
  • Join the Night’s Watch. Cold and uncomfortable, but they make mulled wine.
Day in Review
Low point: Tie between Roose Bolton’s betrayal and Lady Olenna not noticing that my line about veiled threats was a joke about the veil she’s always wearing.



Ben Lindbergh
 

May 24, 2015

Everyone asks, “Where’s Gendry?”


This is a popular question! Gendry, as you will recall, is perhaps the last living bastard of the late King Robert Baratheon. After being taken to Dragonstone and used by Melisandre for his king-positive bodily fluids, Gendry was rescued from the dungeons by Davos, who placed the young blacksmith in a rowboat. Davos gave Gendry a pack with bread and water, advised him not to stop at Rook’s Rest or fall out of the boat, and told him the general direction that would, if the Seven be good, bring him back to King’s Landing after a journey of several days.

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So, where’s Gendry? Possible answers:
1. He drowned. Gendry had never been in a boat before Davos placed him in one, and he cannot swim. He is being asked to make a multiday solo rowboat journey. There’s a really excellent chance he’s down below with the Drowned God right about now.


2. He made it to King’s Landing. Assuming the weather held out and Gendry knew where he was going, we’re talking about a journey that would take three days and nights,1 give or take, of ROWING. Straight-up rowing all day and night FOR THREE DAYS. For Gendry to actually make it back to King’s Landing, he’d need good weather, he’d need his bag of bread and water to last him, and he’d need to not get tired/confused/fall asleep. I think it’s a long shot that he made it to King’s Landing.

3. He’s on Driftmark. It’s the closest land to Dragonstone, so you have to consider it. Problem: Driftmark is the seat of House Velaryon, who are vassals to Stannis. If he had landed here, we’d likely have heard about it.

4. He landed somewhere between the dotted lines on the Crownlands coast. Say you’re in a boat for the first time ever. You’ve been pulling at the oars like a deck slave for 48 straight hours. Your hands are raw blisters interspersed with fingers. Your arms are quivering bundles of pain with the tensile strength of cooked ramen noodles. As a first-time sailor, not used to the discipline that solo sea journeys require, maybe you drank all your water on the first day. You’ve been warned not to stop at Rook’s Rest, but you’re past there now and though you’re not sure exactly where you are, you’re tired and thirsty and you see land stretched out behind you and you really want to get out of this boat.


From Volantis to Meereen: A Travel Plan

Ben Lindbergh: Let’s say, hypothetically, that you had to transport a critically tannin-deprived prisoner from Volantis to Meereen, where your unrequited queen-crush awaits. Which way would you go? (Asking for an exiled friend.)

Map

There are three routes available, all of them dangerous for different reasons. We’ll measure their distances in lengths of the Wall, each of which represents a span of 300 miles and looks like this:

wallunit

Shortest Route: The Demon Road 

DemonRoad‘The Lands of Ice and Fire’

Distance: 3.5 Walls
Travel Advisory From the Essos Tourism Board: “We will lose half the company to desertion if we attempt that march and bury half of those who remain beside the road.”
This is the shortest path between the two points, a little more than a thousand miles as the raven flies. That’s the appealing part. The unappealing part is that the raven will probably be flying to tell your friends and family that you died on the demon road. It’s not clear why the demon road gets such low slaver satisfaction scores — probably because of brigands, the tragic termination of the Valyrians’ Adopt-a-Highway program, and the terrible things the dry desert air does to delicate complexions — but everyone in Essos agrees that roadwise, it’s pretty much the pits. We can’t rule out the possibility that the road is getting a bad rap: Maybe one guy had a demonic experience and the nickname stuck. All I know is that this is the nicest sentence ever spoken about the demon road: “[It] might be it’s not as perilous as men say.” And here’s an example of something men say: “The demon road is death.” So, going this way might not mean guaranteed death — that’s the demon road’s upside.
Moreover, Meereen, unlike death, won’t come quickly. This is an overland route, so while it’s direct, it’s also slow. And there won’t be any way to hide a famous face, particularly one attached to Westeros’s most wanted dwarf.

Fastest Route: The Smoking Sea
SmokingSea‘The Lands of Ice and Fire’

Distance: 6 Walls
Travel Advisory From the Essos Tourism Board: “No free man would willingly sign aboard a ship whose captain spoke openly of his intent to sail into the Smoking Sea.”
Lannister family fun fact: The Casterly Rockers and the Smoking Sea have a history, and it hasn’t been a happy one. Tywin’s brother Gerion had all of the apathy toward politics, sense of humor, and affection for Tyrion that the head of the house lacked. Sadly, when Tyrion was 18, his cool uncle left to look for Lannister trinkets in Valyria. Half of Gerion’s crew deserted in Volantis, so he replaced them with slaves and set course for the Smoking Sea. He hasn’t been seen since, unless it was with late-stage greyscale, in which case it would have been kind of hard to tell.
Even if the sea isn’t actually smoking, the migrating dragons don’t stop to dine, and the Doom was a onetime thing, Valyria is still stone men central. On the other hand, the scenery is nice if you’re into overgrown ruins, and since no one else is stupid enough to sail anywhere near here, you won’t run into traffic.


Safest Route: The Summer Sea
SummerSea‘The Lands of Ice and Fire’

Distance: 8 Walls
Travel Advisory From the Essos Tourism Board: “Corsairs and pirates hunt the southern route. … The next storm could sink or scatter us, a kraken could pull us under … or we might find ourselves becalmed again, and die of thirst as we wait for the wind to rise.”
You will have to pass through the Gulf of Grief, which sort of spoils the Summer Sea’s nonthreatening name, but the long way around is the safest possible path. Even so, there’s an excellent chance that you won’t make it to Meereen unmolested. Remember to buy a money belt before you knock out the nearest fisherman, steal his boat, and set sail.
This itinerary’s slightly decreased risk of death does come with a trade-off: 2,400 miles is a long way to sail, especially while you’re wondering whether your heart’s desire is still single, whether you’ll find her in a merciful mood or a murderous one, and whether you’ve seen the last of that hot hand-on-cheek action. No, come on, focus — you can’t think like that. She might be playing hard to get, but it’s not like she’s going to marry someone else while you’re on the way. Just take this trip one mile at a time.