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Levou um ano e meio para que o “New York Times” elaborasse uma lista dos 30 maiores compositores vivos dos Estados Unidos. O resultado, publicado pelo jornal americano na última semana, tem provocado reações desafinadas. Afinal, grandes figurões da música — como Madonna, Jackson Browne, Billy Joel, Lady Gaga, Patti Smith e Stevie Nicks, entre outros — ficaram de fora da seleção.
O levantamento gerou discórdia até mesmo entre os seis críticos do “New York Times” que deram a palavra final. “Houve grandes debates”, como revela a editora Sasha Weiss. Exemplo: o medalhão Randy Newman, músico com mais de 20 indicações ao Oscar, foi um “grande ponto de discussão”. Acabou excluído, sem dó. A lista foi formada com base em mais de 700 indicações de especialistas, incluindo historiadores e profissionais da indústria musical. A partir daí, os seis críticos foram enxugando o número — e, tcharan!, chegaram, enfim, aos 30 melhores.
Nile Rodgers
As composições do nova-iorquino de 73 anos — entre as quais “Good times” e “I want your love” — condensam o espírito do auge da era disco, segundo os críticos.
Lucinda Williams
“Seja o que for que alguém queira dizer sobre a ‘textura’ de uma música, isso ganha um caráter quase tátil com a americana de Louisiana”, destaca o jornal acerca da artista de 73 anos, que transita entre o country e o blues.
Stevie Wonder
Maior bardo vivo do coração humano, como definem os críticos, ele escreveu “algumas das músicas mais harmonicamente e cromaticamente complexas já criadas”. Exemplos, para citar só alguns: “Part-time lover”, “Girl blue” e “That girl”.
Jay-Z
Os críticos consideram que “Reasonable doubt” (1996) é um dos maiores álbuns de estreia de qualquer gênero, “prova de habilidades deslumbrantes do rapper como contador de histórias”.
Paul Simon
Voz para o “terremoto jovem” que abalou os anos 1960, este “artesão das palavras”, hoje com 84 anos, escreveu pérolas logo no álbum de estreia. Estão lá “The sound of silence”, “The times they are a-changin” e “I want to hold your hand”. Os críticos consideram que ele gravou duas das maiores canções sobre divórcio (“Hearts and bones” e “Graceland”).
Taylor Swift
A longevidade de um dos maiores símbolos da música pop atual — com 12 álbuns de estúdio e centenas de canções ao longo de duas décadas — dá ao público, segundo o jornal, “uma combinação inédita de autoria artística e sucesso comercial”.
Brian & Eddie Holland
Arquitetos de hits de grupos como The Supremes (com Diana Ross como vocalista) e Four Tops, os irmãos transformaram o cancioneiro americano ao tornar o amor algo físico e pulsante, traduzido em batidas e arranjos que convidam o corpo a sentir, como realçam os críticos.
Missy Elliott
A obra da rapper de 54 anos parte de um exercício elaborado de inverter e subverter, “esticando palavras como chiclete e fazendo sílabas ricochetearem”. São obras-primas, de acordo com críticos, canções como “Get ur freak on”, “Work it” e “On & on”.
Lionel Richie
A sequência de sucessos açucarados, com o dedo do artista de 76 anos, foi a trilha sonora das décadas de 1970 e 1980. Letras como “Easy”, “Endless love” e “Hello” são aulas de formas minimalistas da soul music sensual, como apontam os críticos.
Dolly Parton
Ícone cultural de várias gerações, a artista de 80 anos escreveu dois de seus maiores clássicos — “Jolene” e “I will always love you” — na mesma noite. O jornal destaca a “pureza sincera em sua obra e visão de mundo” entre hits country, incursões no pop e resgates do gênero bluegrass.
Young Thug
“Dissidente pós-estrutural” do rap e do hip-hop, como definem os críticos, o músico de 34 anos desmontou normas e tornou o gênero novamente selvagem a partir de um método calcado no... improviso radical.
Diane Warren
Está aí uma das compositoras mais prolíficas e populares dos EUA — e que escreve obras para gente diversa, de Taylor Dayne a Taylor Swift, de Patti LaBelle a Heart, de Chicago a Shanice. De “Rhythm of the night”, do DeBarge, a “There you’ll be”, do Faith Hill, é praticamente impossível não ter ouvido uma canção da artista nas rádios.
JoshOsborne, Brandy Clark e Shane McAnally
Numa era dominada por clichês, o trio de compositores traz temas mais variados — com maior nuance emocional e um olhar mais cosmopolita — ao country.
Fiona Apple
As canções da artista de 48 anos “nos devolvem à euforia da atração e ao enjoo da repulsa” e fazem o coração “parecer um lugar habitado”, como sublinham os críticos.
Babyface
O autor redefiniu a canção romântica no pop, com baladas de enorme impacto emocional. Hits como “End of the road” e “I’ll make love to you”, do Boyz II Men, bateram recordes e ajudaram a reposicionar o R&B no centro da música americana.
Stephin Merritt
Autor de “69 love songs”, o mestre dos desafios criativos combina sofisticação com humor e experimentalismo
Romeo Santos
À frente do grupo Aventura, o nova-iorquino modernizou a bachata — ritmo latino originário da República Dominicana — ao misturá-la com pop, R&B e hip-hop.
Carole King
A compositora de 84 anos transforma emoções complexas em canções universais. Hits como “Way over yonder” e “Tapestry” moldaram diferentes gerações — de Alicia Keys a Taylor Swift.
Outkast
A dupla revolucionou o hip-hop ao levar o sul dos EUA ao centro do gênero nos anos 1990. Com hits como “Player’s ball” e “Ms. Jackson”, os artistas misturam experimentação e apelo pop.
Mariah Carey
Ao surgir nos 1990, adiva pop foi visionária, segundo os críticos, ao fundir a intensidade do gospel com a força do R&B. Autora de 18 hits nº 1, redefiniu o gênero com músicas como “Fantasy” e “We belong together”.
Willie Nelson
Autor de clássicos como “Crazy”, “Night life” e “Funny how time slips away”, o veterano do country construiu uma obra vasta e fora de rótulos, na visão dos críticos.
Kendrick Lamar
As músicas do autor — tido como “dos rappers mais ideológicos em atividade” — são “verdadeiros monólogos de autoconfronto, mas também de confronto com o mundo”.
Valerie Simpson
“Rastrear a influência de Ashford & Simpson — dupla formada por Valerie Simpson e Nickolas Ashford — é como mapear o código genético da canção popular americana”, dizem os críticos. São clássicos “Ain’t no mountain high enough” (1967), “Solid”, “I’m every woman” e “California soul”.
Bob Dylan
Agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2016, Bob Dylan reinventou o que uma canção pode dizer e como pode soar, “expandindo os horizontes da música popular”. Transitou por múltiplas fases e estilos, da canção de protesto ao rock, sempre desafiando rótulos.
Lana Del Rey
O jornal destaca a “gramática sonora particular e inconfundível” da artista, que inventou um estilo indie-pop difícil de imitar. Entre sexo, morte e amor, as letras contróem uma estética de resignação sofisticada e autoral.
The-Dream
“Basta pensar num sucesso de R&B pós-anos 2000, e provavelmente há sua marca ali: ‘Umbrella’, de Rihanna; ‘Ride’, de Ciara; ‘Baby’, de Justin Bieber; e ‘Touch my body’ e ‘Obsessed’, de Mariah Carey” e ‘Single ladies (put a ring on it)’, de Beyoncé”, como lembram os críticos.
Jimmy Jam e Terry Lewis
Jimmy Jam e Terry Lewis são “mestres camaleônicos” que ajudaram a reinventar a carreira de Janet Jackson ao longo de diferentes fases. Misturam soul, funk e pop com inovação, moldando o som do R&B moderno.
Bad Bunny
O vencedor do Grammy de álbum do ano com “Debí tirar mais fotos” remodelou a música latina “com seu flow melancólico e letras ágeis”.
Bruce Springsteen
Para a crítica Lindsay Zoladz, o autor de “Born in the U.S.A.” aprendeu a usar os silêncios ao evoluir das “epopeias da juventude descarada e arrogante” a um papel “autoproclamado de consciência da América”.
Smokey Robinson
O jornal classifica o cantor que foi vice-presidente da Motown como um inspirador de “compositores mais bem-sucedidos e emocionalmente complexos que surgiram depois dele”, como Babyface e Anderson. Paak. “Stevie Wonder pode ser o maior inovador. Lionel Richie pode ter dominado o pop global. Nenhum deles se compara à precisão lírica consistente de Robinson”, dizem os críticos.
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